terça-feira, 10 de novembro de 2015

Deus costuma cumprir a parte dele...

A gente diz que a vida de tentante é difícil, a gente não sabe de nada.

Difícil é descobrir que não temos controle sobre absolutamente nada. Que nesse negócio de vida e morte, ninguém, absolutamente ninguém, tem algum controle. A gente pensa que os médicos tem. Os médicos tentam. Mas é apenas uma tentativa... Sabe quem tem controle? 

Deus.

Acho que isso tudo já estava nos planos dele, ele já sabia que seria difícil e que eu precisaria de ajuda para superar. Em Setembro, ele segurou a minha mão e me guiou para começar a fazer terapia. Acho que ele já estava cuidando de mim.

Como explicar eu conseguir passar por tudo isso?

Porque a vontade que dá é de dormir e não acordar. Ou de, pelo menos, ficar dopada sempre, de algum modo em que não se possa sentir nada.

Só que há alguns anos, eu fiz um contrato com Deus. Eu seguiria firme, até o dia em que ele resolvesse que era a hora de me levar. Em troca, ele me mostraria a vida e me ajudaria a viver.

Sim, eu já tive bastante momentos ruins. Mas também já tive muitos momentos bons, muito muito bons. Se eu tivesse desistido talvez nunca tivesse visto a vida como ela é, em sua plenitude.

Acho que essa perda também faz parte da minha "experiência de vida", faz parte do pacote. Eu tenho que aceitar. É a minha parte do contrato.

Deus costuma cumprir a parte dele...

segunda-feira, 9 de novembro de 2015

O aperto no coração

Passei o final de semana refletindo e não consegui tomar decisão nenhuma sozinha.

Consegui um horário com a psicóloga e depois de conversar, pesar os prós e contras de cada opção, me decidi por fazer o procedimento cirúrgico.

Ela me falou de algumas perspectivas que eu não via. Perspectivas novas que me fizeram de certo modo conseguir tomar a decisão.

Sob certa perspectiva, eu irei apenas induzir uma menstruação. O que é uma menstruação? É a descamação da parede do útero. O procedimento é exatamente para descamar a parede do útero... a diferença é que essa descamação irá acontecer em um dia marcado.

Porque eu preciso ficar aguardando até três semanas pela "menstruação", com o risco de ter alguma infecção, com o risco de não acontecer naturalmente e ter que apelar mesmo assim para o procedimento cirúrgico?

Acho que posso me poupar dessa espera, porque ficar me torturando? Eu não tenho mais sanidade mental, eu lutei o quanto deu. Fiquei em repouso desde o dia que descobri a gravidez até o dia que detectaram que não havia mais batimentos cardíacos. Lutei enquanto meu guerreirinho precisou de mim, ele cumpriu a sua missão e se despediu. Ele foi forte, se desenvolveu e bateu o coração para mim. Eu pedi e ele escutou... Ele se despediu dois dias depois. Resistiu o quanto pôde, o tempo necessário para mostrar que tinha me escutado, mostrou sua persistência por mim. Por ele, eu serei forte, irei virar essa página e mostrar a minha persistência também.

Sob certa perspectiva, quanto mais rápido eu encerrar esse negocio de descamação, mais rápido eu poderei voltar a tentar.

Liguei para o obstetra e está agendado para quarta. Até aí tudo bem. O problema foi quando soube o local. O hospital maternidade em que eu nasci e onde pretendia ter meu parto. Sabe, foi como se meu coração tivesse parado de bater por alguns instantes e realmente deu muuuuita vontade de desistir.

Ir logo para lá?

Depois eu tentei pensar que seria apenas um teste drive da maternidade. Não é todo mundo que tem a oportunidade de testar o hospital maternidade antes, né? Se vou fazer um procedimento cirúrgico, porque não aproveitar e testar como é lá?

Será que a acústica de lá é boa? Será que escutarei o choro dos bebês? Não seria tanta novidade assim, eu escuto todo dia. Alguém (não sei se vizinho de cima ou de baixo) tem um bebê recém nascido que chora todos os dias. Acho engraçado que Marido nunca tinha prestado atenção nisso até eu falar. Acho que meu ouvido já está treinado para detectar choro de criança a distância. =P

O obstetra informou que irá viajar quarta a noite (ou era quinta?) e só irá retornar na próxima semana. Mas eu, com certeza, irei pedir o contato de alguém para caso de alguma emergência. Sendo bem dramática, na pior das hipóteses, eu posso ter hemorragia, não ter socorro a tempo e morrer. Vou tentar não pensar nisso, afinal o ruim da morte é para os que ficam.

Vai ser melhor, irá terminar tudo isso mais rápido. Só um dia na cama do hospital aguardando. Eu já passei tantos dias presa na cama de casa aguardando... O que seria só mais um dia?

Talvez não seja tão ruim, talvez passe rápido, talvez eu consiga dormir por lá e acorde só para tomar a anestesia e voltar a dormir.

sábado, 7 de novembro de 2015

Guerreirinho se despediu

Bem, sabe aquela frase "mãe sabe...". Poiseh, vocês já tinham super percebido como eu estava aflita. Eu tinha um pressentimento ruim. Do mesmo modo que antes eu tinha um pressentimento forte que era um menino e que ele estava vivo... Depois o pressentimento mudou, agora era que havia algo errado. Eu não sentia mais a presença da "energia" do guerreirinho. Tinha essa sensação estranha. Super estranha. Não dá para explicar. Tentei ignorar ao máximo, que era só coisa da minha cabeça. Mas, pelo visto, não era.

Guerreirinho se despediu dois dias após aquele último ultrassom, do dia 21.

Ainda estou avaliando se espero meu corpo fazer seu trabalho (o médico disse que pode levar até três semanas) ou se encurto a espera e faço logo a cirurgia.

Estou triste, mas é como se realmente já soubesse... A vida dele foi curta, mas ele foi muito amado por todas as batalhas que enfrentou, batendo o coraçãozinho quando já tinham dado como certo o aborto. Ele me deu energia para continuar acreditando.

Obrigada pelo apoio e força que todas me deram durante essa longa espera.

Continuamos esperando o sinal verde de Deus.

Algum dia chegará o tempo certo.

sexta-feira, 6 de novembro de 2015

Ainda...

Como ainda estou nessa interminável espera que parece que só se prolonga e prolonga e prolonga... Parece que esse negócio de "aguardar" me persegue. ¬¬

Não tenho muita certeza, pois ainda vou fazer a ecografia para confirmar, mas, hoje, teoricamente completa nove semanas. Se estivéssemos considerando a DUM (data da última menstruação) seriam dez semanas.

Houve essa diferença entre datas e a causa foi de uma possível ovulação tardia. Não me surpreende se tiver ocorrido isso, afinal tive alguns ciclos longos este ano que também seriam indicativo de ovulação tardia...

Lógico que apesar da explicação plausível bate aquela insegurança. Porque vai que não é ovulação tardia e a causa é que o embrião não está se desenvolvendo no ritmo que deveria... Só a ecografia para tirar esta angustia.

Não tenho tantos sintomas de gravidez. Não enjôo. Não tenho tontura. Ultimamente nem me sinto mais empachada como me sentia antes. A sensação de "peso" nos seios também diminuiu. As freqüentes idas aos banheiro continuam.

Acho que as minhas reações estão mesmo mais exageradas. Talvez por conta dos hormônios da gravidez, talvez por causa da progesterona que tomo duas vezes ao dia... Mas, lógico, que alguém me falando isso me irrita ainda mais ¬¬ Porque é como se tivesse "menosprezando" o que estou sentindo. Apesar de ser exagerado, eu estou sentindo mesmo. Então posso dizer com certeza que é um sentimento total de "incompreensão". Estava louca para fazer logo a ecografia e saber se o hematoma diminuiu ou sumiu e para ver se o embriãozinho estava bem. Essa necessidade de saber isso logo é urgente. As grávidas irão compreender, os futuros papais talvez não. 

Acho que qualquer coisa que marido tivesse dito, iria me irritar. Talvez até se ele estivesse por perto e ficado calado, iria me irritar... Eu estava super chateada, contrariada. Tanta raiva que bate aquele desespero e você só consegue chorar. =/ 

Tipo cutucar a onça com vara curta... Maridos de grávidas são heróis =P 

Eu amo o meu apesar dele me fazer tanta raiva as vezes. ¬¬

quinta-feira, 5 de novembro de 2015

Exame adiado

Hoje de manhã recebi uma ligação da clinica informando que o médico não poderia me atender hoje, remarcaram o exame para sábado.

Podem imaginar como fiquei P da vida com isso, né?

Eu tento pensar que deve ter tido alguém que estava precisando do médico muito mais do que eu, com alguma emergência...Afinal é um "obstetra de alto risco", né?

Estou mais decepcionada ainda com meu marido por não conseguir compreender a minha chateação. Ele acha que a minha reação está sendo totalmente exagerada e que eu devia controlar a minha ansiedade, "são só dois dias".

Por mim, eu iria hoje fazer um exame em qualquer lugar, só para saber como está tudo. e no sábado repetiria lá na clinica. Mas estou de repouso e não posso dirigir. Teria que ir de táxi. Já que marido super acha que é exagero meu e não quer me levar.

Estou me sentido tão só e incompreendida.

Queria ter forças para enfrentar tudo isso, sair para fazer o exame, sozinha mesmo. Mas me sinto tão triste.

Não consigo parar de chorar, queria pelo menos poder voltar a terapia...

Depois marido veio perguntando onde que eu queria ir fazer exame, que ele iria me levar, já que eu queria tanto... Que ele achava que eu ficar assim "era capaz deu perder o menino dele".

Mas agora já não quero mais ir, ele acha que é só frescura minha. Ele não entende.

quarta-feira, 4 de novembro de 2015

Ansiedade a mil

Nossa. Ecografia chegando

O.O

E a ansiedade? A mil!

Será que está tudo bem?

Ao mesmo tempo, deu uma vontade de começar a olhar coisinhas de bebê... Não sei se devia olhar essas coisas, afinal estou tão insegura.

Masssss não resisti. Dei uma olhadinha no google buscando mais informações sobre o enxoval e quantidades de roupinhas e afins. E também procurando indicações de onde encontrar roupa de gestante por aqui, em Fortaleza.

Gente, juro... Acho que engordei demais nessas últimas semanas. Eu já tinha uma barriguinha natural de gordinha né, mas, agora, pense numa barriga que duplicou. O.O Estou super inchada. Um bebê do tamanho de um feijãozinho não pode estar tomando tanto espaço assim...

Vou tentar melhorar mais a alimentação e ver se ajuda um pouco. Porque, sério, acho que passa fácil por uma gravidez de 5/6 meses... Minhas roupas que antes estavam folgadas agora estão ficando super acochadas. Minha nossa.

Se me liberarem do repouso, não sei nem por onde começar. Tanta coisa que gostaria de fazer. Queria ir no salão fazer as unhas *.* Procurar uma nutricionista materno-infantil. Ir numa dermatologista. Comprar roupas. Ir a praia...

Só que eu também tenho que ir aos poucos, tenho que mentalizar que não posso querer tirar o atraso de uma vez só. Porque não dá para ter o mesmo pique de antes de engravidar, ainda mais com um começo de gravidez tão caótico como o meu.

aiaiai e amanhã é o exame...

Não sei ainda quem fará o exame, se será o próprio obstetra ou uma ultrassonografista lá da clinica. Saí daquela consulta de duas semanas atrás tão desnorteada... Marquei o dia do exame, mas não gravei muitas informações a respeito não. Bem, amanhã veremos como vai ser.

terça-feira, 3 de novembro de 2015

Daqui dois dias...

Ta chegando! Ta chegando!

Hoje tem um turbilhão de pensamentos na minha cabeça, alternando entre pensamentos bons e ruins.

Penso se o hematoma sumiu... ou se ainda estará lá e terei que continuar de repouso.

Penso se o guerreirinho está se desenvolvendo no ritmo correto, dizem que esta é uma das semanas cruciais no desenvolvimento de certos órgãos.

Penso que devia ficar muito feliz por ter a sorte de não passar mal, enjoada. Mas confesso que o fato de não enjoar de jeito algum me deixa é mais preocupada do que felizarda. Será que tudo está bem mesmo?

Penso na possibilidade de ser liberada do repouso e enfim poder sair de casa um pouco... Vontade enorme de pegar um solzinho depois de tantos dias trancada na sombra. Vontade de sentar em qualquer lugar só para ficar olhando o movimento, ver gente...

Penso que verei novamente aquelas ondulaçõeszinhas das batidas do coração do meu guerreirinho, será que estará acelerado? A quanto estará batendo seu coração dessa vez?

Penso se conseguirei enxergar alguma coisa além de um grande borrão, será que já dará para ver alguma coisa mais familiar?

O que será que será?