Mostrando postagens com marcador trombofilia. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador trombofilia. Mostrar todas as postagens

domingo, 7 de outubro de 2018

7ª Consulta pré natal com o hematologista

CONSULTA CANCELADA

Infelizmente o horário da consulta do obstetra coincidiu com o horário da consulta do hematologista, como ele já havia passado todas as orientações sobre como proceder no parto, resolvi cancelar a consulta.






~~o~~~~o~~~~o~~~~o~~~~o~~~~o~~~~o~~~~o~~~~o~~~~o~~~~o~~~~o~~~~o~~~~
Obs. Post liberado em atraso, referente de Agosto 2018
~~~o~~~~o~~~~o~~~~o~~~~o~~~~o~~~~o~~~~o~~~~o~~~~o~~~~o~~~~o~~~~o~~~~

sábado, 8 de setembro de 2018

6ª Consulta pré natal com o hematologista

Mais uma vez fiz confusão com as datas das consultas. Eu havia anotado que a consulta seria numa quarta as 14h. Ai me programei para fazer a US com doppler na terça as 10h porque aí daria tempo de levar o exame para a consulta e tal. Só que eis que recebo uma ligação da secretária para confirmar a consulta... e para minha surpresa a consulta não era na quarta, era na terça e também não era a tarde, era de manhã as 9h...

Lá vai eu mudar de planos. Tentei remarcar a US, mas só tinha vaga para sexta. Ok... então me conformar que irei para a consulta sem o exame. Fazer o que...

Havia combinado com a minha mãe dela me levar já que eu não estou dirigindo e meu marido havia dito que não poderia me levar.

~~o~~~~o~~~~o~~~~o~~~~o~~~~o~~~~o~~~~o~~~~o~~~~o~~~~o~~~~o~~~~o~~~~

Na quarta, meu marido mudou de planos e disse que ia comigo. Mas eu não desmarquei com a minha mãe não. Ela ia também e de lá sairíamos para resolver coisas juntas.

Só que deu 8:45 e nada dela chegar. a consulta era as 9h. Me aborreci, resolvi que não iria esperar mais senão iria me atrasar. Sai de casa logo para a consulta.

Cheguei no consultório exatamente 9:10. Pensei que fosse ter a sorte da consulta passada e ser atendida logo. Que ilusão. Hoje foi o dia mais lotado que já vi. não havia nem lugares para sentar na recepção.

Tive que medir a glicemia durante a espera na recepção, como eu previa, veio alterada. Percebi que quando me estresso com alguma coisa, a glicemia sobe.

20min depois a minha mãe chega na clinica. Esperamos quase duas horas até ser chamada para a consulta.


Dessa vez ele não pediu exames apenas deu instruções para o parto. Entregou um papel e disse para entregar uma cópia para o obstetra, uma cópia para a enfermeira do hospital e ficar com uma cópia.








~~o~~~~o~~~~o~~~~o~~~~o~~~~o~~~~o~~~~o~~~~o~~~~o~~~~o~~~~o~~~~o~~~~
Obs. Post liberado em atraso, referente de Julho 2018
~~~o~~~~o~~~~o~~~~o~~~~o~~~~o~~~~o~~~~o~~~~o~~~~o~~~~o~~~~o~~~~o~~~~

sexta-feira, 3 de agosto de 2018

5ª Consulta pré natal com o hematologista

Juro que não lembrava dessa consulta. A secretária ligou para confirmar no dia anterior. Que sorte hein, senão certeza que eu iria perder. Mas como nem tudo são flores, novamente acertei em cheio o horário da natação e tive que faltar mais uma vez.

Meu horário era as 9h, cheguei lá umas 8:40. Para surpresa de todos, fui atendida antes do horário, 8:50. Estava conformada em esperar horas como era o costume... Meu marido foi acompanhando.

O hematologista muito simpático.  Expliquei para ele que o anti xa do exame passado não foi feito por erro do laboratório, então resolvi realizar os exames dessa consulta mais cedo. Ele disse que fiz bem.

Eu já tinha enviado esses resultados por zap e sabia que ele tinha dito que tudo estava normal. Mas resolvi perguntar novamente sobre o resultado do anti xa que deu 0,3 (nos exames anteriores estava dando 0,5). Ele me pediu para ir ao posto de enfermagem e pedir para a enfermeira medir meus sinais vitais.

Fui lá e ela mediu tudo: altura, peso, pressão, temperatura, batimentos cardíacos.

Quando retornei ao consultório, estava o médico e o meu marido no maior papo sobre guerras. o.O Notei o hematologista bastante animado. Ele comentou que os protocolos médicos brasileiros estavam a anos luz dos protocolos europeus. Que não entendia porque não podíamos aprender com os acertos dos outros. Será que precisaríamos passar também por uma guerra para haver esse choque de realidade assim como eles? Ele mostrou um livro que estava lendo sobre a medicina no século XIX.  Fez mais alguns desabafos sobre a situação da medicina atualmente. Sobre os novos médicos que estava no mercado de trabalho. Sobre a visão mercantilista. Que agora não tratam mais pacientes, e sim, apenas as doenças. Esqueceram o que é a verdadeira medicina.

Sim, o meu hematologista é da velha guarda. Um dos poucos remanescentes... que trata o paciente e não apenas a doença.

Aproveitei o clima de desabafo para perguntar sobre o ultrassom com doppler. Pois havia comentado com meu obstetra e o mesmo disse que só fazia esse exame em caso de restrição do crescimento fetal.

O hematologista me deu uma guia para realizar o exame. Disse que pelo sim, pelo não. Melhor fazer.



~~o~~~~o~~~~o~~~~o~~~~o~~~~o~~~~o~~~~o~~~~o~~~~o~~~~o~~~~o~~~~o~~~~

Os exames solicitados foram:

Ultrassom obstétrico com doppler



~~o~~~~o~~~~o~~~~o~~~~o~~~~o~~~~o~~~~o~~~~o~~~~o~~~~o~~~~o~~~~o~~~~
Obs. Post liberado em atraso, referente de Junho 2018
~~~o~~~~o~~~~o~~~~o~~~~o~~~~o~~~~o~~~~o~~~~o~~~~o~~~~o~~~~o~~~~o~~~~

terça-feira, 3 de julho de 2018

4ª Consulta pré natal com o hematologista

Consulta de Maio. Como de praxe atrasou 1h. O médico estava bem simpático. Mostrei os exames que tinham saído (ficou faltando o anti XA). Ele disse que os exames estavam ótimos, disse que quando saísse o outro que enviasse para ele o resultado. Deu a lista dos exames para trazer na próxima consulta.

Os exames solicitados foram:

Coagulograma
Tempo de sangramento
Tempo de protrombina e Atividade
Tempo de tromboplastina parcial ativada
Anti X Ativado
Dimero D quantitativo
Ácido Fólico
Magnésio
Cálcio

~~o~~~~o~~~~o~~~~o~~~~o~~~~o~~~~o~~~~o~~~~o~~~~o~~~~o~~~~o~~~~o~~~~
Obs. Post liberado em atraso, referente de Maio 2018
~~~o~~~~o~~~~o~~~~o~~~~o~~~~o~~~~o~~~~o~~~~o~~~~o~~~~o~~~~o~~~~o~~~~

domingo, 3 de junho de 2018

3ª Consulta pré natal com o hematologista

Consulta de Abril. Dessa vez deu certo marido ir acompanhando. O médico fez as perguntas de praxe. Se eu estava tendo algum sangramento, alguma coceira, alguma coisa diferente.

Contei a ele que desde da 16ª semana (no momento da consulta, estava com 18 semanas) eu acordava com as mãos dormentes mas que ainda não havia conversado sobre isso com o obstetra pois a próxima consulta seria na próxima semana somente.

Ele disse que essa dormência nas mãos poderia ter duas razões ou ser algo com tireóide ou algo com a síndrome do túnel carpo, muito comum nas gestantes. Ele passou exames de tireóide só para desencargo, mas disse que geralmente se fosse tireóide também mexeria com a parte da digestão e isso não estava acontecendo. Disse que no caso da síndrome do túnel carpo a tendência era piorar e após a gravidez melhorar. Tudo era devido ao acúmulo de água que estaria afetando os nervos dos braços e mãos.
Dessa vez ele também passou outros exames de sangue para verificar a dosagem do anticoagulante.

Os exames foram:
Coagulograma
- Tempo de sangramento
- Tempo de protrombina e Atividade
- Tempo de tromboplastina parcial ativada
- Anti X Ativado
- Dimero D quantitativo
- Ácido Fólico
- Magnésio
- Cálcio

Exames da tireoide que ele passou para investigar a dormência das mãos:
- TSH
-  T4

Estava com uma viagem agendada para a região do cariri, interior do Ceará. 45min de avião. Comentamos sobre essa viagem e também sobre outra possibilidade de viagem em maio com oito horas de duração.

Novamente, ele deu o aval para as viagens, dizendo que eu estava mais protegida até que meu marido. Pois o maior risco é a questão da coagulação e eu já estou medicada para isso. Ele também entregou um papel com orientações para a viagem e um laudo médico sobre a trombofilia e a necessidade de medicação, este laudo eu tenho que deixar junto à medicação para poder levá-las comigo na bagagem de mão no avião.

Orientações para viagens longas:
- Evitar ficar longos períodos sentada, levantar e dar algumas caminhadas durante o vôo.
- Evitar bebidas gasosas e alcoólicas.
- Usar meia de compressão leve.
- Usar a medicação conforme já estou usando.






~~o~~~~o~~~~o~~~~o~~~~o~~~~o~~~~o~~~~o~~~~o~~~~o~~~~o~~~~o~~~~o~~~~
Obs. Post liberado em atraso, referente de Abril 2018
~~~o~~~~o~~~~o~~~~o~~~~o~~~~o~~~~o~~~~o~~~~o~~~~o~~~~o~~~~o~~~~o~~~~

quarta-feira, 2 de maio de 2018

2ª Consulta pré natal com o hematologista

A segunda consulta deveria ter sido em fevereiro. Mas teve o carnaval e eu acabei não ligando para agendar. Depois já estava no final de fevereiro e a consulta de março já era logo no começo de mês, então resolvi pular fevereiro e ir lá só na consulta de março.

Acabou que na consulta de março meu marido não pode ir. Acabei indo sozinha. Não tinha muitas novidades para falar ao hematologista, até os exames que havia feito ele já tinha visto pelo zap. Achei que ele passaria exames para fazer, mas ele não passou nenhum. Apenas olhou novamente os exames que já havia olhado. Disse que na próxima consulta era para trazer todas as ultrassons que tivesse até o momento. Eu disse que já estava com todas as ultrassons lá, mas ele não quis olhar, disse que só na próxima consulta. (vai entender né...)

Resolvi comentar com o hematologista que estava pensando em viajar de avião e queria a opinião dele. (Eu estava crente que ele iria se opor a idéia de imediato...) Mas para a minha surpresa, não. Ele disse que tudo estava bem e que até seria interessante viajar para relaxar. Fiquei chocada com essa resposta inesperada e não consegui racionar mais coisas para perguntar a respeito, disse apenas que ainda não era certeza, estava apenas pensando no assunto.

A próxima consulta está marcada para Abril.






~~o~~~~o~~~~o~~~~o~~~~o~~~~o~~~~o~~~~o~~~~o~~~~o~~~~o~~~~o~~~~o~~~~
Obs. Post liberado em atraso, referente de Março 2018
~~~o~~~~o~~~~o~~~~o~~~~o~~~~o~~~~o~~~~o~~~~o~~~~o~~~~o~~~~o~~~~o~~~~

segunda-feira, 26 de março de 2018

BBB dos exames - Resultado exames do Hematologista

Coagulograma 361.000 /uL
Tempo de protrombina e Atividade
Tempo de tromboplastina Parcial Ativada
Tempo de sangramento 2min
Ácido fólico 15,19 ng/mL
Magnésio 2,2 mg/dL
Cálcio 9,4 mg/dL
Anti Xa 0,60 Ul/mL
Dimero D quantitativo 0,17 ug/mL

Mandei os resultados via whatsapp e o Hematologista respondeu que estavam excelentes e que era para manter a dosagem do anticoagulante como estava.

Teoricamente, eu deveria ter uma consulta com o hematologista em Fevereiro. Mas o exame Anti Xa demorou muito para sair e eu ainda não tinha agendado a consulta de fevereiro. Ainda tinha o carnaval para atrapalhar tudo. E a consulta de Março seria logo no começo do mês... Então resolvi pular a consulta de fevereiro e ir lá só em março. 




~~~o~~~~o~~~~o~~~~o~~~~o~~~~o~~~~o~~~~o~~~~o~~~~o~~~~o~~~~o~~~~o~~~~
Obs. Post liberado em atraso, referente à Fevereiro 2018
~~~o~~~~o~~~~o~~~~o~~~~o~~~~o~~~~o~~~~o~~~~o~~~~o~~~~o~~~~o~~~~o~~~~

terça-feira, 27 de fevereiro de 2018

1º Consulta pré natal com o hematologista


Chegamos a clinica, lotada. Ok, já conhecia como funcionava lá. Muitas pessoas na sala de espera, mas alguns vão para outros médicos e outros para fazer tratamento, lá também atende pacientes com câncer.

Meu hematologista é uma das principais referencia da área de trombofilia no meu estado. Ele atende exclusivamente mães e tentantes trombofílicas. Geralmente as consultas com ele são bem longas, então é quase certo que haverá atrasos...

Após quase uma hora entramos no consultório. A última vez em que estive com esse médico foi em maio 2016, quando tive o diagnóstico de ser portadora de fatores de trombofilia.

O médico pediu para que eu fosse me pesar, com as enfermeiras lá na parte de atendimentos.
Nesse meio tempo meu marido ficou conversando com o hematologista. O médico comentou que eu estava muito tensa.

Estava nervosa, não consegui lembrar de todos os medicamentos que estava usando. Também não lembrei de falar que nesse meio tempo havia feito mais duas fertilizações in vitro... Marido foi que conversando com ele, disse tudo. Sim, eu realmente estava avoada total.

O médico disse que meu imc era 31, faixa de obesidade e que o ideal seria que ele estivesse até no máximo 30, antes de engravidar. Mas que agora não era hora de emagrecer, afinal a tendência era aumentar de peso pela gravidez. Disse que procurasse uma nutricionista para fazer o acompanhamento para não ganhar muito peso na gestação. Evitar chegar no Imc 34/35 porque aí seria muito preocupante.

Bem, o hematologista perguntou há tempo tinha iniciado a medicação anticoagulante. Tinha que estar usando há pelo menos 13 dias para poder realizar os exames que ele ia passar. Também tinha que estar usando no turno da manhã, pois os exames só eram coletados de manhã. No meu caso, estava usando no turno noite... Então teria que mudar para o turno da manhã pelo menos três noites antes de realizar os exames.

Ficaremos fazendo o acompanhamento mensal. Nesse meio tempo, ele pediu que enviasse os resultados dos exames via whatsapp, pois ele diria se a dosagem da medicação estava ok ou se precisaria alterar.

Os exames solicitados foram:

Coagulograma
Tempo de sangramento
Tempo de protrombina e Atividade
Tempo de tromboplastina parcial ativada
Anti X Ativado
Dimero D quantitativo
Ácido Fólico
Magnésio
Cálcio



~~o~~~~o~~~~o~~~~o~~~~o~~~~o~~~~o~~~~o~~~~o~~~~o~~~~o~~~~o~~~~o~~~~
Obs. Post liberado em atraso, referente a Janeiro 2018
~~~o~~~~o~~~~o~~~~o~~~~o~~~~o~~~~o~~~~o~~~~o~~~~o~~~~o~~~~o~~~~o~~~~

quarta-feira, 16 de agosto de 2017

Estrutura e função do complexo fator VIII-Fator de Von Willebrand

Fonte: https://www.facebook.com/APhysiio/posts/1214160892044200

ESTRUTURA E FUNÇÃO DO COMPLEXO FATOR VIII-FATOR DE VON WILLEBRAND

O fator VIII é sintetizado no fígado e nos rins e o fator de von Willebrand (vWF) é fabricado nas células endoteliais e nos megacariócitos. Os dois se associam para formar um complexo na circulação. O vWF também está presente na matriz subendotelial dos vasos sanguíneos normais e nos grânulos α das plaquetas. Após lesão endotelial, a exposição do vWF subendotelial causa a adesão das plaquetas, primariamente pelo receptor plaquetário de glicoproteína Ib (Gplb). O vWF circulante e o vWF liberado dos grânulos α das plaquetas ativadas podem ligar-se à matriz subendotelial exposta, contribuindo, adicionalmente, para a adesão e ativação das plaquetas. As plaquetas ativadas formam agregados hemostáticos; o fibrinogênio (e possivelmente vWF) participa da agregação por interações que formam pontes com o receptor plaquetário de glicoproteína llb/llla (Gpllb/llla). O fator VIII participa da cascata de coagulação como um cofator para a ativação do fator X na superfície das plaquetas ativadas.

Os dois distúrbios hemorrágicos hereditários mais comuns, a hemofilia A e a doença de von Willebrand, são causados por defeitos qualitativos ou quantitativos envolvendo o fator VIII e o vWF, respectivamente. Antes de discutirmos esses distúrbios, será interessante revisar a estrutura e a função dessas duas proteínas, que estão presentes juntas no plasma como parte de um grande complexo único.

O fator VIII e o vWF são codifi cados por genes separados e são sintetizados em células diferentes. O fator VIII é um cofator essencial do fator IX, que converte o fator X em fator Xa. Ele é fabricado em diversos tecidos; as células endoteliais sinusoidais e as células de Kupffer no fígado e as células epiteliais tubulares nos rins parecem constituir fontes particularmente importantes. Quando o fator VIII atinge a circulação, ele se liga ao vWF, que é produzido pelas células endoteliais e, em menor grau, pelos megacariócitos, que são a fonte do vWF encontrado nos grânulos α das plaquetas. O vWF estabiliza o fator VIII, que tem uma meia-vida de aproximadamente 2,4 horas, quando livre, e de 12 horas, quando ligado ao vWF na circulação.

O vWF circulante existe na forma de multímeros que contêm até 100 subunidades que podem exceder 20 x 106 dáltons em massa molecular. Além do fator VIII, esses multímeros interagem com várias outras proteínas envolvidas na hemostasia, incluindo colágeno, heparina e possivelmente as glicoproteínas da membrana plaquetária. A função mais importante do vWF é promover a adesão de plaquetas à matriz subendotelial. Isso ocorre pelas
interações de formação de ponte entre a glicoproteína Ib-IX das plaquetas, vWF e componentes da matriz, como o colágeno. Parte do vWF é secretado pelas células endoteliais diretamente para a matriz subendotelial, onde permanece pronto para promover a adesão plaquetária, se o revestimento endotelial for rompido.

As células endoteliais e as plaquetas também liberam vWF na circulação. Após lesão vascular, este segundo pool de vWF liga-se ao colágeno na matriz subendotelial para aumentar ainda mais a adesão plaquetária. Os multímeros de vWF também podem promover a agregação das plaquetas pela ligação a integrinas GpIIb/Illa ativadas; essa atividade pode ser particularmente importante em condições de alto estresse de cisalhamento (como ocorre em pequenos vasos).

Referências:

Patologia - Bases Patológicas das Doenças - Robbins & Cotran - 8ª Edição - 2010
Patologia - Bogliolo - 8ª Edição - 2011



Polimorfismo PAI -1

Fonte: https://www.facebook.com/photo.php?fbid=1189446364455287&set=a.225018420898091.55209.100001698046542&type=3

Já ouviu falar sobre o PAI-1?

O PAI -1 (Inibidor do ativador de plasminogênio tipo 1) é uma (serpina) protease que controla a coagulação sanguínea. Essa substância é secretada em diferentes tecidos como: endotélio vascular, fígado e em grande quantidade pelo tecido adiposo, especialmente o tecido adiposo visceral. Uma elevada atividade e concentração de PAI – 1 reduz a atividade fibrinolítica, o que está associada ao aumento no risco de doenças cardiovasculares. Considerada também uma citocina pró-inflamatória (Associada com TNF-alfa e IL-6 por ex.) possui correlação inversa com o VO2máx (capacidade máxima que o organismo tem em captar o oxigênio do ar, transportar e utilizar nos músculos), correlação positiva com a resistência à insulina (pré-diabetes), diabetes tipo 2, obesidade e dislipidemia (colesterol e triglicerídeos alterados). Este pode ser regulado à partir de concentrações de t-PA (Ativador de plasminogênio tecidual), um equilíbrio entre o t-PA e o PAI-1 são necessários para o processo de coagulação sanguínea afim de evitar formações de trombos e também afim de coagular de maneira precisa durante um machucado, por exemplo. Alguns medicamentos como estatinas (controle do colesterol) e a metformina (controle da glicemia) parecem modular positivamente as concentrações de PAI-1. Mas não vamos focar nos remédios, deixe para os médicos, pois são eles que entendem.

PAI-1 e gravidez

Numa complexa interação metabólica e enzimática, o PAI-1 também está associado à abortos de repetição, em especial quando relacionados a indivíduos com polimorfismo do alelo 4G/4G podendo responder até 47% de aumento do PAI-1 quando comparado a outros alelos (4G/5G e 5G/5G). Ao reduzir a fibrinólise pode causar trombose e induzir à insuficiência placentária, impedindo o desenvolvimento fetal.

PAI-1 e exercício físico

Estão bem estabelecidos os diferentes benefícios do exercício físico regular em diferentes parâmetros de saúde, principalmente na redução da atividade de citocinas pró-inflamatórias bem como um aumento nas citocinas anti-inflamatórias. Estudos que avaliaram os efeitos do exercício regular em processos hemostáticos demonstram um efeito regulador positivo.

Entretanto, ainda considerada uma carência na área de exercício físico, são poucos estudos que apresentam um tipo, duração, frequência e intensidade ótima afim de responder positivamente aos processos de equilíbrio hemostático e consequente redução do PAI-1.

Um grupo de pesquisadores finlandeses lideraram um ensaio clínico randomizado longitudinal com 3 anos de seguimento. O objetivo do estudo foi avaliar os efeitos do exercício físico regular nos alelos 4G/5G promotores do gene do PAI-1.


Participaram do estudo 212 homens com idades entre 50 e 60 anos que foram avaliados no início, 12 meses e 30 meses após. Foram avaliados triglicerídeos, insulina e PAI-1, além de serem avaliados para identificação dos alelos (4G/4G, 5G/5G e 4G/5G). Apenas 140 homens participaram das análises até o final do estudo. Após realizarem o teste cardiopulmonar, foram identificados os limiares ventilatórios 1 e 2 e os grupos foram divididos aleatoriamente em dois grupos (intervenção e grupo controle).

O grupo intervenção realizou exercício aeróbio contínuo na intensidade do limiar ventilatório 1 (40 a 60% do VO2max) 5x/semana por 1h.
Como esperado, o grupo intervenção aumentou em 8,8 e 5,9% o limiar 1 e 2 respectivamente.
Apenas o grupo com o alelo 4G/4G reduziu em 36% o PAI-1. O triglicerídeo reduziu em ~10 mg/dL em todos os alelos.
Um aumento da adrenalina plasmática está relacionado a um aumento do t-PA que reduz a atividade do PAI-1, além de que um aumento do t-PA apresenta efeito protetor contra eventos aterotrombóticos durante o exercício.
Os pesquisadores concluíram que o exercício regular realizado na intensidade do limiar 1 mostrou-se benéfico na redução do PAI-1 apenas no grupo com alelo 4G/4G (36% de redução).
Num estudo que investigou homens com Síndrome Metabólica (SM) que realizaram exercício aeróbio contínuo com intensidade moderada, os autores identificaram redução do PAI-1 e dos fatores de risco da SM. Indivíduos com doença arterial periférica também se beneficiaram com a realização de exercício aeróbio contínuo de intensidade moderada (65% da FCmax por 30 min), apresentando redução da PAI-1.

A partir desses resultados positivos com o exercício físico, lacunas ainda precisam ser preenchidas a respeito da hemostática.

1- Boa parte dos estudos utilizam apenas homens como amostra;
2- Os efeitos em mulheres será o mesmo que em homens?
3- Treino de força (qual será mais adequado para essas mudanças? Volume ou intensidade?
4- Estudos com alta intensidade são escassos, será que o HIIT pode apresentar efeito positivo na redução da PAI-1 e aumentar a t-PA? Eu acredito que sim. Mas isso é para outra postagem.

Mensagens para levar para casa:

Mulheres que pretendem engravidar e que possuem alelo 4G/4G para PAI-1 podem se beneficiar positivamente com o exercício físico, reduzindo ao menos um dos problemas de coagulação.

Faça exercício físico regularmente e desfrute dos vastos benefícios. Está com dúvida de como realizar? Procure um profissional de Educação Física, que é o profissional responsável pela prescrição adequada de exercícios físicos.

Abraços! Victor Gasparini

Referências:
1- Thromb Haemost 1999; 82: 1117–20
2- Med. Sci. Sports Exerc., Vol. 33, No. 2, 2001, pp. 214–219
3- Rev. bras. hematol. hemoter. 2005;27(3):213-220
4- Metabolism, Vol. 49, No. 7 (July), 2000: pp. 845-852

quarta-feira, 17 de agosto de 2016

É preciso mais do que torcida. É preciso atitude.

Texto compartilhado no facebook no grupo "Trombofilia Doações e Sobras de medicamentos"

Achei interessante e resolvi compartilhar por aqui. 

~~~o~~~~o~~~~o~~~~o~~~~o~~~~o~~~~o~~~~o~~~~o~~~~o~~~~o~~~~o~~~~o~~~~

"Bom dia. Há muitos dias venho pensando em uma forma de escrever esse post de alerta sem parecer rude. Em primeiro lugar eu gostaria de dizer que sinto muito por cada perda. Sinto muito por cada bebê que virou anjo, por cada sonho interrompido, por cada lágrima derramada. Esse grupo existe essencialmente para ajudar mulheres a vencerem essa doença tão grave. E para isso contamos com uma única arma: informação.

Tenho visto dezenas de mães que chegam aqui devastadas pelas perdas, tentando se preparar para uma nova gestação. Muitas dispostas a aprender, a pesquisar, a se informar. Desta forma ficam aptas a escolher melhor seus obstetras quando isso é possível ou a questionar e exigir um acompanhamento rigoroso quando precisam contar com o SUS. Mas por outro lado tenho visto muitas que não estão abertas a entender a gravidade da questão.

Algumas mulheres chegam aqui procurando uma palavra mágica de que elas podem engravidar tranquilas que nada de ruim vai acontecer. Não querendo enxergar que foram vítimas de negligência médica e que não tiveram assistência adequada. Mães, isso é uma falácia. Se vocês não tiverem o tratamento correto a tragédia irá acontecer.

Vou falar para quem tem histórico de Pré Eclapsia, com ou sem perda gestacional: você precisa de médico de alto risco. Obstetra comum não pode te ajudar. Você precisa pesquisar TODAS as trombofilias. Médico que não pesquisa trombofilia deve ser abandonado. Médico que não prescreve AAS não sabe nada de pré eclampsia. Médico que diz que só vai medicar se algo der errado deve ser riscado do seu caderninho. Médico que não pesquisa sobre vitamina D e cálcio não é de alto risco. O primeiro doppler deve ser feito com 12 semanas e a partir de 22 semanas todas as US devem ser com doppler. A periodicidade vai depender dos resultados, mas nunca o intervalo poderá ser maior que 30 dias, sendo que após 28 semanas o ideal é que seja quinzenal. Tooooooodos esses pontos são essenciais. E mais, mulheres cujos bebês tiveram grave restrição de crescimento e que perderam seus bebês devem buscar médicos que aceitam o protocolo de uso de anticoagulante injetável pelo histórico, independentemente dos resultados dos exames de trombofilia.

Você chegou aqui. Você teve acesso à essas informações. Você leu relatos de mães que infelizmente não chegaram a tempo no grupo e que tiveram uma segunda gestação mais desastrosa ainda do que a primeira. Se ainda assim você não questionar seu médico, não entender a gravidade da situação e que essa luta também é sua, estará sendo também negligente e irresponsável. Então se conscientizem. Vocês precisam Lutar por vocês e por seus bebês. Essa é a função do grupo. Estamos aqui, claro, para ajudar a secar as lágrimas, para abraçar e confortar. Mas estamos aqui principalmente para ajudar vocês a vencerem, a deixarem a dor para trás e terem filhos lindos nos braços.

Não posso mais ver relatos de péssima assistência que contaminam a ideia de outras mães achando que é normal ser negligenciada.


É possível sim ter uma gestação com final feliz. Mas é preciso mais do que torcida. É preciso atitude.

Post vanessa talarico ‪#‎vencendoapréeclampsia#

Faço das palavras dela as minhas."


Compartilhado por Patty Costa.

(Link do post: https://www.facebook.com/hashtag/vencendoapr%C3%A9eclampsia?source=feed_text)

quarta-feira, 25 de maio de 2016

Trombofilia :: Acompanhamento na gravidez

Exames imprescindíveis para acompanhar a trombofilia na gravidez

Dímero
Fibrinogênio
Homocisteína

Hemograma completo
Coagulograma completo
Hepatograma
Dosagem do fator Anti-Xa (atividade)



Obs Quando há coagulos no sangue o Dimero começa a alterar
Aí aumento a dose da enoxaparina pra diminuir os coágulos

terça-feira, 24 de maio de 2016

Trombofilia - compartilhando (perguntas e respostas)

1. O que é trombofilia?

As trombofilias (sim, existe mais de um tipo!) são doenças que causam aumento da coagulação sanguínea, com conseqüente aumento do risco de obstrução dos vasos sanguíneos. Esta obstrução é denominada trombose. As trombofilias podem ser divididas em dois grupos: as hereditárias e as adquiridas. No grupo das trombofilias adquiridas destaca-se a síndrome antifosfolípide (SAAF).

2. Eu não tenho nenhum sintoma…será que posso ter trombofilia?

As trombofilias podem se manifestar de várias maneiras, que nem sempre são óbvias. A trombose pode ocorrer em qualquer vaso sanguíneo do corpo, ou seja, vasos do coração levando a um infarto, vasos do cérebro, podendo levar a um derrame. Contudo, o mais comum é obstrução de vasos dos membros inferiores, nas pernas, que pode levar a dor e inchaço na perna acometida.

Para se ter um diagnóstico de trombofilia, médicos levam em consideração não só o resultado de exames laboratoriais, mas também o histórico da paciente.

3. Como se adquire trombofilia?

O mecanismo que leva à produção dos anticorpos que interferem no sistema da coagulação ainda não são conhecidos. Existem os chamados "fatores desencadeantes" que podem agir como gatilhos para a eclosão da SAAF, em indivíduos geneticamente predispostos, ou novos eventos trombóticos em indivíduos que já tiveram trombose no passado relacionada à SAAF. Os mais conhecidos são intervenções cirúrgicas, infecções graves na gestação e nos pacientes que já vinham sendo tratados para SAAF, falha do acompanhamento da dosagem do anticoagulante.

No entanto, como dissemos anteriormente, as trombofilias podem ser tanto adquiridas ao longo da vida ou herdadas, ou seja, ser uma herança genética familiar.

4. Como é feito o exame para detectar trombofilia?

Para verificar se uma pessoa tem trombofilia é preciso realizar exames de sangue com pesquisa dos fatores acima mencionados. Anormalidades em um único exame já podem ser motivo suficiente para fechar o diagnóstico de trombofilia.
As trombofilias adquiridas que estão mais relacionadas com a ocorrência de trombose são:
• O anticorpo anticardiolipina: é um teste mais sensível, sendo encontrado em cerca de 80% dos pacientes com SAAF, no entanto, é menos específico, podendo ocorrer em uma variedade de outras condições. Logo após um evento trombótico, o teste para aCL pode estar transitoriamente negativo porque há um consumo do anticorpo. Recomenda-se outro teste três meses após o evento trombótico. Quanto maior o título do aCL, maior a chance de eventos trombóticos.
• O anticoagulante lúpico: é menos sensível (presente em 15 a 40% dos pacientes com SAAF), no entanto, raramente é positivo em outras condições além da SAAF.
As trombofilias hereditárias são :
• Deficiência de proteína C
• Deficiência de proteína S
• Deficiência de antitrombina
• Presença do Fator V de Leiden
• Presença de uma mutação no alelo G20210A do gene da protrombina
• Presença de uma mutação no gene da enzima metileno tetrahidrofolato redutase (MTHFR).

5. Como evitar trombofilia?

A trombofilia não tem como ser evitada mas pode-se evitar as suas conseqüências combatendo os fatores de risco para os eventos trombóticos, que tem um peso ainda maior nas pessoas que têm SAAF. Os principais fatores de risco são fumo, obesidade, vida sedentária, níveis elevados de colesterol e triglicerídeos, uso de hormônios (principalmente estrógenos) e certas drogas (como a clorpromazina).

6. Quando esses exames devem ser solicitados?

Como estas doenças da coagulação só recentemente foram identificadas, ainda não há critérios "padrão", mas algumas indicações existem:

o Presença de vários fenômenos tromboembólicos numa família, particularmente quando afetam pessoas relativamente jovens (abaixo dos 50 anos);
o Localização atípica e pouco frequente de certas tromboses;
o Tromboembolismo na ausência dos fatores clássicos de risco.

7. Tenho trombofilia. Isso dificulta engravidar?

A trombose no local de implantação do embrião no útero pode atrapalhar a fixação do embrião, levando a não ocorrência de gravidez após a transferência de embriões de boa qualidade em tratamentos de reprodução assistida. Pode ocorrer ainda uma implantação comprometida, que pode resultar em abortamento precoce.

8. Tenho trombofilia e estou grávida. Posso ter algum problema?

As mulheres portadoras de trombofilia têm uma chance aumentada para apresentar algumas complicações na gravidez como hipertensão, restrição de crescimento intra-uterino (RCIU) e perda fetal recorrente (PFR). Em pacientes com trombofilia que já tiveram aborto prévio, o risco de aborto em uma próxima gestação não tratada é de cerca de 80%. Além de abortamentos no início da gestação e perdas fetais (no segundo e terceiro trimestre de gestação), as trombofilias estão relacionadas a crescimento intra-uterino retardado, oligohidrâmnia (diminuição do volume do líquido amniótico), baixo peso fetal e insuficiência placentária. Mas se você fizer um acompanhamento adequado, com médico especializado, terá uma gravidez saudável. Não se desepere!

9. Quer dizer que essa doença tem tratamento?

Sim e um tratamento eficaz que permite que as portadoras com acompanhamento médico adequado tenham uma gestação de sucesso. Temos vários casos de sucesso aqui nos fóruns!

10. Como é o tratamento das gestantes com SAAF?

O tratamento da gestante com SAAF difere. Utiliza-se o AAS infantil e muitas vezes hidroxicloroquina em gestantes sem passado de aborto. Nas pacientes com trombose prévia ou perdas fetais recorrentes, adiciona-se a heparina subcutânea, que pode ser a regular a cada 12 horas, ou a de baixo peso molecular, a cada 24 horas.

11. Qual a importância do tratamento?

A SAAF é reconhecida atualmente como a trombofilia adquirida mais comum. Deve ser considerada no diagnóstico diferencial de tromboses arteriais e venosas recorrentes, bem como nas perdas fetais de repetição e pré-eclâmpsia. Para pacientes que já apresentaram evento trombótico arterial ou venoso, a chance de recorrência é alta. Essas pessoas devem ser anticoaguladas indefinidamente, monitorando-se o INR. A SAAF é uma doença crônica e para evitar as conseqüências, que podem ser graves ou até mesmo fatais, se requer uma boa adesão ao tratamento. Os pacientes devem ser esclarecidos sobre a conduta geral e o regime terapêutico adotado, para prevenir perdas fetais e a morbidade por eventos trombóticos.

12. Tenho mutação do FATOR V DE LEIDEN. O que é isso?

Em 1993, Dahlback e seus colaboradores, na cidade de Leiden, descreveram uma mutação no gene que codifica o Fator V. O gene mutante, localizado no cromossomo 1,
promove uma alteração no Fator V, tornando-o mais resistente à ação da proteina C (anticoagulante natural) . O Fator V, com tal alteraçãoo, foi denominado Fator V de
Leiden. Essa parece ser a trombofilia hereditária mais frequente. Vários estudos já demonstraram sua correlação com resultados gestacionais insatisfatórios.

13. O que é a mutação da ANTI-TROMBINA III?

Anti-trombina III é um anticoagulante natural que age inibindo os fatores ativados (coagulantes) IX, X, XI e XII da cascata de coagulação. Sua deficiência foi inicialmente
descrita em 1965 e pode ser causada por mais de 80 diferentes mutações. A deficiência de anti-trombina III é a trombofilia que apresenta maior risco para trombose, mesmo quando heterozigoto. Cerca de 70% das pacientes com deficiência de anti-trombina III irão apresentar trombose venosa durante a gestação. Estudos mostraram elevado o risco para aborto e um risco 5 vezes maior de natimorto, em individuos que apresentam deficiência de anti-trombina III.

14. O que é a mutação da enzima METILENOTETRAHIDROFOLATO REDUTASE (MTHFR)?

A mutação em um gene (C677T) que codifica a enzima MTHFR promove uma alteração na estrutura de tal enzima, deixando-a termolábil, inativa. Recentemente, foi descoberta uma nova mutação que promove inativação da MTHFR, A1298C, porém ainda há poucos estudos que a correlacionam com resultados gestacionais insatisfatórios. A MTHFR é uma enzima fundamental na conversão de homocisteína em metionina, e nesse processo estão envolvidos outros cofatores, como: ácido fólico, vitamina B6 e B12.
Individuos que apresentam mutação da MTHFR possuem uma tendência a elevação dos níveis de homocisteína sanguinea, principalmente os homozigotos para C677T, ou heterozigotos para ambas as mutações. A elevação da homocisteína parece estar
relacionada com um risco elevado para doenças cardiovasculares e maus resultados gestacionais (aborto recorrente, pré-eclampsia, óbito fetal, DPP). A mutação na MTHFR
também esta relacionada com mal-formações fetais e defeitos de fechamento do tubo neural. Em alguns estudos, pacientes com elevação da homocisteína apresentaram um risco de aborto 2,5 vezes maior que a população normal.

O diagnóstico dessa mutação é realizado com a detecção da mutação e determinação do nivel de homocisteína no sangue. O tratamento durante a gestação é realizado com uso de drogas anticoagulantes e suplementação vitamínica.

15. O que é a mutação do gene da PROTOMBINA (FATOR II)?

Descoberta em 1996, a mutação no gene que codifica o fator II se correlaciona com um risco elevado de tromboembolismo, isso porque tal mutação irá proporcionar uma maior produção de Fator II (coagulante). A mutação no gene da protombina é encontrada em cerca de 1 a 3% da população normal (sem história de tromboembolismo) e em até 6% de pessoas com história de trombose venosa. É responsvel por até 18% das trombofilias hereditárias. Portadores da mutação do Fator II apresentam uma elevação no risco de trombose em cerca de 2 a 5 vezes. Estudo recente mostrou a presença da mutação no gene da protombina em torno de 7 a 8% das pacientes com abortos, comparado com 3,8% de mulheres sem história de aborto.

Alguns exames indicados para a pesquisa da trombofilia e de alterações imunologicas:

Exames imunologicos:
- crossmatch (prova cruzada)
- Cultura mista de linfocitos
- Tipagem HLA
- Preparo de linfocitos supressores
- Preparo de linfocitos T e B
- Preparo de linfocitos hepler
- Anticorpos anticardiolipina
- Fator anticoagulante lupico
- Anticorpos antinucleo
- Anticorpos Anti-DNA
- Anti-Ro e Anti-La
- Antiperoxidase tieroideana
- Antitireoglobulina
- Dosagem cel NK (CD-3, +16, +56)
- Teste atividade NK

Exames de coagulação: 
- Fator V de Leiden mutação G 1691A
- Mutação G20210A no gene da protrombina
- Dosagem de proteina C
- Dosagem de proteina S
- Dosagem de antitrombina III 
- Mutação do gene da metilieno tetrahidrofolato redutase – (MTHFR) - (Variantes C677T e A1298C)
- Mutação PAI­‑1 (675G>A (4G/5G) e 844A>G)
- Fatores VIII, IX, IX e XIII
- Fator de von Willebrand (F vW)

Principais exames de Trombofilias

:: TROMBOFILIAS HEREDITÁRIAS ::

Resultam da deficiência de componentes que fazem parte do sistema de coagulação. Estão associadas com o tromboembolismo venoso e adversidades durante a gravidez. Estão incluídos nesta categoria:

- Mutação do Fator V de Leiden (R506Q)

- Mutação do gene da protrombina (fator II- G20210A)

- Deficiência da Antitrombina

- Deficiência da proteína C

- Deficiência da proteína S

- Mutação do gene da metilieno tetrahidrofolato redutase – (MTHFR) - (Variantes C677T e A1298C)

- Aumento do fator VIII (estudos recentes)

- Fator IX e XI elevados (estudos recentes)

- Fator XIII (Fator XIII Val-34-Leu) – (estudos recentes)

- Polimorfismo no gene beta-cistationina sintetase

- Hiperhomocisteinemia -

- Mutação PAI­‑1 675G>A (4G/5G) e 844A>G (estudos recentes)

- Níveis elevados do Fator de von Willebrand (F vW) – ainda em estudo

:: TROMBOFILIAS ADQUIRIDAS ::

- Anticoagulante lúpico -

- Anticorpos anticardiolipina -

- Anticorpos antifosfatidilserina –

- FAN (fator antinuclear) -

- Anticorpos anti- beta-2-glicoproteína 1 -

- Anti-fosfatidil-etanolamina -

- lipoptn (a) -


Retirado de: Trombofilia e Gestação - http://www.trombofilia.com/principais-exames

Tipos de Trombofilias

:: HEREDITÁRIAS ::

- Deficiência da Antitrombina

- Deficiência da Proteína C

- Deficiência da Proteína S

- Deficiência de Proteína Z

- Mutação Fator V Leiden (R506Q) Resistência APC (APCR)

- Mutação do gene da Protrombina G20210A

- Mutação da MTHFR (Variantes 677C>T e 1298A>C)

- Mutação PAI-1 675G>A (4G/5G) e 844A>G

- Disfibrinogenemias

- Fator IX Elevado

- Fator XI Elevado

:: ADQUIRIDAS ::   

- Síndrome dos Anticorpos antifosfolipides (SAAF)


:: MISTAS/COMBINADA :: 

- Hiperhomocisteinemia

- Atividade Elevada do Fator VIII

- Aumento do Fibrinogênio


:: OUTRAS TROMBOFILIAS :: 

- ACE Ins/del Fibrinogénio (455G>A)

- Fator XIII (Val34Leu)

- APOE (Cys112Arg e Arg158Cys)

- EPCR (4678G/C)

Classificação das Trombofilias

ALTO RISCO TROMBÓTICO

- Homozigose Fator V Leiden
- Homozigotia Protrombina G20210A
- Deficiência de Antitrombina
- Síndrome dos Anticorpos antifosfolipides (SAAF)
- Trombofilias combinadas (Dupla heterozigose para Fator V Leiden e Protrombina G20210A, por exemplo, dentre outros)

MODERADO RISCO TROMBÓTICO

- Heterozigose Fator V Leiden
- Heterozigose Protrombina G20210A
- Deficiência Proteína C
- Deficiência Proteína S
- Persistência de Anticorpos antifosfolipides

BAIXO RISCO TROMBÓTICO

- Mutação da MTHFR (Polimorfismos C677T e A1298C)
- Mutação do PAI-1 (Polimorfismos 675G>A (4G/5G) e 844A>G)
- Hiperhomocisteinemia
- Outras


FONTE: Artigo “Rastreio de Trombofilias” - Boletim da SPHM Vol. 27 (4) Outubro, Novembro, Dezembro 2012 – Lisboa - Portuga

O que é Trombofilia?


Trombofilia é basicamente uma falha genética, hereditária ou adquirida, que faz com que o corpo tenha uma pré-disposição a formar coágulos de sangue e não dissolve-los sozinhos, podendo obstruir as veias sanguíneas. Esses coágulos podem causar diversos males, como trombose venosa, embolismo pulmonar, acidente vascular cerebral, infartos, dentre outros, que se não diagnosticados a tempo, podem levar à morte. Esta falha também estaria relacionada à dificuldade de implantação de embrião ou abortos de repetição

Existem vários tipos, entre baixo riscos até riscos elevados, diferindo também no tratamento entre elas.

O uso de anticoncepcionais é fator que aumenta o aparecimento dessa doença, especialmente entre as mulheres que quando pretendem engravidar, necessitam de um acompanhamento mais que especial com um Ginecologista / Obstetra de alto risco juntamente com o acompanhamento de um hematologista.

Postagens relacionadas:

Tipos de trombofilia

Classificação de risco

Principais exames

sábado, 21 de maio de 2016

Sobre a consulta de retorno com o hematologista...

Ontem marido nem sequer lembrava que teríamos a consulta e ainda perguntou se eu queria que ele fosse. Nessas horas, eu preciso respirar fundo para não iniciar uma briga desnecessária... Respondi simplesmente que sim, eu queria que ele fosse junto.

Chegamos quinze minutos antes do horário. Na recepção do prédio erraram meu nome no crachá e eu tive que pedir para consertarem... (não me julguem... só que eu realmente detesto quando erram meu nome).

No consultório logo percebi que haviam três pessoas na nossa frente. é, isso mesmo. Estava exatamente no nosso horário e ainda tinha três pessoas na frente e lá não é por ordem de chegada não. Tudo estava super atrasado. Até entendo o motivo do atraso. Esse médico hematologista passa um bom tempo com cada paciente, ele gosta de explicar tuuuuuudo, então super vale a pena essa espera toda.

Duas horas depois do previsto, fomos atendidos. Dessa vez eu estava mais tranqüila do que da outra consulta (vide post Consulta Hematologista e provável TPM). Comecei mostrando os exames que já tinha mostrado na consulta passada e depois entreguei os novos. Ele olhou e assinalou quatro itens nos exames: Mutação MTHFR (homozigoto A1289C), Polimorfismo PAI1 4G/5G, Fator VIII e Fator IX.

Bem, como eu já tinha dito no post "Fatores de trombofilia? Heparina? Causa do aborto?", eu já sabia que era trombofilia mesmo... Estava meio conformada com a idéia.

Aí ele foi explicar lá que eu tinha fatores que aumentavam o risco de fazer coágulos e esses coágulos podiam interromper o fluxo sanguíneo e causar uma trombose. Que era uma alteração genética que fazia com que eu demorasse o dobro do tempo para desmanchar esses coágulos do que uma pessoa sem essas alterações. Que em situações especiais, como a gravidez, tinha que tomar alguns cuidados, pois a gravidez por si só também aumenta esses fatores de coagulação...

O que ele recomendou a respeito? Usar AAS e umas vitaminas manipuladas e a partir da fase lutea, usar anticoagulante e cálcio. Caso engravide, manter as medicações até o período puerperal. Todo mês fazer consulta de acompanhamento no hematologista, além do acompanhamento com o obstetra.

Lógico que não fiquei nem um pouco animada com isso. Fui logo imaginando como seria tentar natural com baixas chances de sucesso e, mesmo assim, ter que me furar umas 15 vezes todo mês... Imaginando como seria essa gravidez com as tais "picadinhas do amor", imaginando como seria ficar nove meses aflita sem saber se o bebê estava bem ou se havia parado o coração.

Acho que o médico percebeu e já foi logo dizendo que não era para ficar triste e com medo quando pegasse o positivo pois com as medicações iria diminuir os riscos e seria uma gravidez quase normal. Ele também recomendou que evitasse comentar muito sobre isso com as pessoas em geral, pois a maioria não entende e poderiam falar muitas bobagens que só me deixariam para baixo.

Assim como aquele obstetra de alto risco que fui quando estava grávida, este hematologista costuma atender muitas grávidas desesperadas, então imagino que ele já sabe mais ou menos o que passa pela cabeça delas.

Perguntei (só por perguntar mesmo, porque eu já planejo fazer pré natal com obstetra de alto risco de qualquer forma) se o obstetra teria que ser de alto risco. Aí o hematologista disse: "olha, eu não costumo chamar de gravidez de alto risco, costumo chamar de "gravidez preciosa", ok? Porque a rigor, realmente é uma gravidez preciosa por tudo que vocês passaram e nós vamos acompanhar direitinho ela".

Sai do consultório com uma peca de papeis: O receituário com as medicações para usar nas tentativas e gravidez, instruções de locais de aplicação da medicação, uma declaração que sou portadora de fatores de risco para trombofilia (esta declaração é para que eu tente conseguir as medicações pelo sus ou pelo plano de saúde), recomendações para viagens longas de mais de oito horas e recomendações sobre o uso de anticoncepcionais, caso precise voltar a usar.

Quando estava prestes a sair do consultório, vi que meu nome estava escrito errado nos papéis, não resisti, tive que falar que estava escrito errado. Aí o médico disse que foi bom ter avisado porque poderia dar problema na documentação quando fosse tentar solicitar a medicação. Ele fez outros papéis, dessa vez com o nome escrito correto, e me entregou. =P Até que tem suas vantagens esse meu abuso quando erram meu nome.


Digamos que estou bem perdida com tudo isso. Queria que num passe de mágica chegasse o dia em que saímos da maternidade com o pacotinho nos braços. Agora realmente não me passa mais pela cabeça voltar para casa e ficar esperando acontecer.

O hematologista disse que a trombofilia pode ter atrapalhado na implantação do embrião na primeira gravidez e talvez tenha atrapalhado na fiv também, então eu estou me apegando nisso. Na próxima tentativa da fiv usarei o anticoagulante e tem tudo para dar certo, tanto engravidar quanto manter a gestação. Resta só saber quando será isso.

quarta-feira, 4 de maio de 2016

Fatores de trombofilia? Heparina? Causa do aborto?

Oi

Lá venho eu me lamentar aqui novamente.

Eu estava pirando com aqueles resultados dos exames e não resisti. Mandei um e-mail pro hematologista falando que estava preocupada. Falei apenas da alteração do exame do fator VIII que foi muito alta, 231%, perguntei se era muito sério essa alteração. Com base nesse resultado, ele respondeu:

" Sim, este aumento significa que você tem um risco de formar coágulo desnecessário, em alguma parte do seu corpo, quando estiver em situação especial, tipo, gravidez, cirurgia de grande porte, etc. "

...

Bem, então acho que isso confirma que os resultados seriam mesmo indicativo de trombofilia.

Passei incontáveis horas pesquisando sobre as alterações nos exames, mas com essa resposta do hematologista, talvez, apenas esperar a consulta de retorno seja melhor.

Antes, eu achava que a heparina seria ministrada só durante os três primeiros meses e apenas porque seria FIV. Se não fosse FIV, talvez nem chegasse a usar. Pois a única alteração que tinha dado era a MTHFR (homozigoto na A1298C), a homocisteína estava normal. Afinal, segundo pesquisei, alguns médicos ainda insistem em dizer que essa mutação não apresenta riscos e não está ligada a abortos. Eu teria que gastar muito latim para argumentar se realmente não era o caso de usar a Heparina a gravidez inteira.

Mas depois apareceu a mutação do polimorfismo PAI 4G/5G, o fator IX e o fator VIII elevados... Bem, agora, penso que usar heparina durante a gravidez não será mais uma questão de argumentação... Acredito que provavelmente, haverá realmente uma recomendação médica para tal.

Pouca coisa se tem falando do polimorfismo PAI, mas pelas pesquisas que fiz, vi que ele pode estar ligado a abortos precoces, tipo igual ao meu, antes de chegar as 12 semanas. Então agora, fico pensando que não era só causa hormonal, talvez a trombofilia também tenha atrapalhado.



segunda-feira, 2 de maio de 2016

Bomba relógio?

Fiz a coleta dos exames do hematologista na terça (26.04.16). A partir de quinta começaram a sair os primeiros resultados.  

Lembram que antes da consulta a única alteração encontrada tinha sido a MTHFR homozigoto no A1298C? Poiseh... Aí saiu a homocisteína que era a minha grande preocupação, mas, aparentemente, com ela está tudo ok. ;) Bem, tirando o fato do hematologista ter dito antes de passar o exame que ela deveria dar abaixo de 5 independente da referência do laboratório (a referência do laboratório é de 5 a 12), a minha deu 5,6 mas está próximo de 5, então acho que dá para desconsiderar, né?

Depois é que tudo começou a complicar.

De repente me deparo com um dos resultados com um aviso me chamando a atenção "repetido e confirmado nesta amostra". Vou olhar, era o resultado do Fator VIII, o resultado veio 231% O.O  a referência dele é 50 a 150%

Depois vejo o fator IX, resultado 154,3%, a referência de 70 a 120%

Von Willebrand, resultado 163%, referência de 50 a 160%  

Proteína C, resultado 155%, referência 70 a 150%

Polimorfismo do Gene PAI1, resultado 4G/5G, referência 5G/5G

...

Provavelmente agora está confirmada a trombofilia. Acho que dessas alterações a única que não é negativa é a da proteína C.

...

O retorno com o hematologista para mostrar os exames é só no fim de maio, até lá, estou me sentindo praticamente uma bomba relógio O.O Afinal, trombofilia é a tendência a ter tromboses.