terça-feira, 24 de maio de 2016

Trombofilia - compartilhando (perguntas e respostas)

1. O que é trombofilia?

As trombofilias (sim, existe mais de um tipo!) são doenças que causam aumento da coagulação sanguínea, com conseqüente aumento do risco de obstrução dos vasos sanguíneos. Esta obstrução é denominada trombose. As trombofilias podem ser divididas em dois grupos: as hereditárias e as adquiridas. No grupo das trombofilias adquiridas destaca-se a síndrome antifosfolípide (SAAF).

2. Eu não tenho nenhum sintoma…será que posso ter trombofilia?

As trombofilias podem se manifestar de várias maneiras, que nem sempre são óbvias. A trombose pode ocorrer em qualquer vaso sanguíneo do corpo, ou seja, vasos do coração levando a um infarto, vasos do cérebro, podendo levar a um derrame. Contudo, o mais comum é obstrução de vasos dos membros inferiores, nas pernas, que pode levar a dor e inchaço na perna acometida.

Para se ter um diagnóstico de trombofilia, médicos levam em consideração não só o resultado de exames laboratoriais, mas também o histórico da paciente.

3. Como se adquire trombofilia?

O mecanismo que leva à produção dos anticorpos que interferem no sistema da coagulação ainda não são conhecidos. Existem os chamados "fatores desencadeantes" que podem agir como gatilhos para a eclosão da SAAF, em indivíduos geneticamente predispostos, ou novos eventos trombóticos em indivíduos que já tiveram trombose no passado relacionada à SAAF. Os mais conhecidos são intervenções cirúrgicas, infecções graves na gestação e nos pacientes que já vinham sendo tratados para SAAF, falha do acompanhamento da dosagem do anticoagulante.

No entanto, como dissemos anteriormente, as trombofilias podem ser tanto adquiridas ao longo da vida ou herdadas, ou seja, ser uma herança genética familiar.

4. Como é feito o exame para detectar trombofilia?

Para verificar se uma pessoa tem trombofilia é preciso realizar exames de sangue com pesquisa dos fatores acima mencionados. Anormalidades em um único exame já podem ser motivo suficiente para fechar o diagnóstico de trombofilia.
As trombofilias adquiridas que estão mais relacionadas com a ocorrência de trombose são:
• O anticorpo anticardiolipina: é um teste mais sensível, sendo encontrado em cerca de 80% dos pacientes com SAAF, no entanto, é menos específico, podendo ocorrer em uma variedade de outras condições. Logo após um evento trombótico, o teste para aCL pode estar transitoriamente negativo porque há um consumo do anticorpo. Recomenda-se outro teste três meses após o evento trombótico. Quanto maior o título do aCL, maior a chance de eventos trombóticos.
• O anticoagulante lúpico: é menos sensível (presente em 15 a 40% dos pacientes com SAAF), no entanto, raramente é positivo em outras condições além da SAAF.
As trombofilias hereditárias são :
• Deficiência de proteína C
• Deficiência de proteína S
• Deficiência de antitrombina
• Presença do Fator V de Leiden
• Presença de uma mutação no alelo G20210A do gene da protrombina
• Presença de uma mutação no gene da enzima metileno tetrahidrofolato redutase (MTHFR).

5. Como evitar trombofilia?

A trombofilia não tem como ser evitada mas pode-se evitar as suas conseqüências combatendo os fatores de risco para os eventos trombóticos, que tem um peso ainda maior nas pessoas que têm SAAF. Os principais fatores de risco são fumo, obesidade, vida sedentária, níveis elevados de colesterol e triglicerídeos, uso de hormônios (principalmente estrógenos) e certas drogas (como a clorpromazina).

6. Quando esses exames devem ser solicitados?

Como estas doenças da coagulação só recentemente foram identificadas, ainda não há critérios "padrão", mas algumas indicações existem:

o Presença de vários fenômenos tromboembólicos numa família, particularmente quando afetam pessoas relativamente jovens (abaixo dos 50 anos);
o Localização atípica e pouco frequente de certas tromboses;
o Tromboembolismo na ausência dos fatores clássicos de risco.

7. Tenho trombofilia. Isso dificulta engravidar?

A trombose no local de implantação do embrião no útero pode atrapalhar a fixação do embrião, levando a não ocorrência de gravidez após a transferência de embriões de boa qualidade em tratamentos de reprodução assistida. Pode ocorrer ainda uma implantação comprometida, que pode resultar em abortamento precoce.

8. Tenho trombofilia e estou grávida. Posso ter algum problema?

As mulheres portadoras de trombofilia têm uma chance aumentada para apresentar algumas complicações na gravidez como hipertensão, restrição de crescimento intra-uterino (RCIU) e perda fetal recorrente (PFR). Em pacientes com trombofilia que já tiveram aborto prévio, o risco de aborto em uma próxima gestação não tratada é de cerca de 80%. Além de abortamentos no início da gestação e perdas fetais (no segundo e terceiro trimestre de gestação), as trombofilias estão relacionadas a crescimento intra-uterino retardado, oligohidrâmnia (diminuição do volume do líquido amniótico), baixo peso fetal e insuficiência placentária. Mas se você fizer um acompanhamento adequado, com médico especializado, terá uma gravidez saudável. Não se desepere!

9. Quer dizer que essa doença tem tratamento?

Sim e um tratamento eficaz que permite que as portadoras com acompanhamento médico adequado tenham uma gestação de sucesso. Temos vários casos de sucesso aqui nos fóruns!

10. Como é o tratamento das gestantes com SAAF?

O tratamento da gestante com SAAF difere. Utiliza-se o AAS infantil e muitas vezes hidroxicloroquina em gestantes sem passado de aborto. Nas pacientes com trombose prévia ou perdas fetais recorrentes, adiciona-se a heparina subcutânea, que pode ser a regular a cada 12 horas, ou a de baixo peso molecular, a cada 24 horas.

11. Qual a importância do tratamento?

A SAAF é reconhecida atualmente como a trombofilia adquirida mais comum. Deve ser considerada no diagnóstico diferencial de tromboses arteriais e venosas recorrentes, bem como nas perdas fetais de repetição e pré-eclâmpsia. Para pacientes que já apresentaram evento trombótico arterial ou venoso, a chance de recorrência é alta. Essas pessoas devem ser anticoaguladas indefinidamente, monitorando-se o INR. A SAAF é uma doença crônica e para evitar as conseqüências, que podem ser graves ou até mesmo fatais, se requer uma boa adesão ao tratamento. Os pacientes devem ser esclarecidos sobre a conduta geral e o regime terapêutico adotado, para prevenir perdas fetais e a morbidade por eventos trombóticos.

12. Tenho mutação do FATOR V DE LEIDEN. O que é isso?

Em 1993, Dahlback e seus colaboradores, na cidade de Leiden, descreveram uma mutação no gene que codifica o Fator V. O gene mutante, localizado no cromossomo 1,
promove uma alteração no Fator V, tornando-o mais resistente à ação da proteina C (anticoagulante natural) . O Fator V, com tal alteraçãoo, foi denominado Fator V de
Leiden. Essa parece ser a trombofilia hereditária mais frequente. Vários estudos já demonstraram sua correlação com resultados gestacionais insatisfatórios.

13. O que é a mutação da ANTI-TROMBINA III?

Anti-trombina III é um anticoagulante natural que age inibindo os fatores ativados (coagulantes) IX, X, XI e XII da cascata de coagulação. Sua deficiência foi inicialmente
descrita em 1965 e pode ser causada por mais de 80 diferentes mutações. A deficiência de anti-trombina III é a trombofilia que apresenta maior risco para trombose, mesmo quando heterozigoto. Cerca de 70% das pacientes com deficiência de anti-trombina III irão apresentar trombose venosa durante a gestação. Estudos mostraram elevado o risco para aborto e um risco 5 vezes maior de natimorto, em individuos que apresentam deficiência de anti-trombina III.

14. O que é a mutação da enzima METILENOTETRAHIDROFOLATO REDUTASE (MTHFR)?

A mutação em um gene (C677T) que codifica a enzima MTHFR promove uma alteração na estrutura de tal enzima, deixando-a termolábil, inativa. Recentemente, foi descoberta uma nova mutação que promove inativação da MTHFR, A1298C, porém ainda há poucos estudos que a correlacionam com resultados gestacionais insatisfatórios. A MTHFR é uma enzima fundamental na conversão de homocisteína em metionina, e nesse processo estão envolvidos outros cofatores, como: ácido fólico, vitamina B6 e B12.
Individuos que apresentam mutação da MTHFR possuem uma tendência a elevação dos níveis de homocisteína sanguinea, principalmente os homozigotos para C677T, ou heterozigotos para ambas as mutações. A elevação da homocisteína parece estar
relacionada com um risco elevado para doenças cardiovasculares e maus resultados gestacionais (aborto recorrente, pré-eclampsia, óbito fetal, DPP). A mutação na MTHFR
também esta relacionada com mal-formações fetais e defeitos de fechamento do tubo neural. Em alguns estudos, pacientes com elevação da homocisteína apresentaram um risco de aborto 2,5 vezes maior que a população normal.

O diagnóstico dessa mutação é realizado com a detecção da mutação e determinação do nivel de homocisteína no sangue. O tratamento durante a gestação é realizado com uso de drogas anticoagulantes e suplementação vitamínica.

15. O que é a mutação do gene da PROTOMBINA (FATOR II)?

Descoberta em 1996, a mutação no gene que codifica o fator II se correlaciona com um risco elevado de tromboembolismo, isso porque tal mutação irá proporcionar uma maior produção de Fator II (coagulante). A mutação no gene da protombina é encontrada em cerca de 1 a 3% da população normal (sem história de tromboembolismo) e em até 6% de pessoas com história de trombose venosa. É responsvel por até 18% das trombofilias hereditárias. Portadores da mutação do Fator II apresentam uma elevação no risco de trombose em cerca de 2 a 5 vezes. Estudo recente mostrou a presença da mutação no gene da protombina em torno de 7 a 8% das pacientes com abortos, comparado com 3,8% de mulheres sem história de aborto.

Alguns exames indicados para a pesquisa da trombofilia e de alterações imunologicas:

Exames imunologicos:
- crossmatch (prova cruzada)
- Cultura mista de linfocitos
- Tipagem HLA
- Preparo de linfocitos supressores
- Preparo de linfocitos T e B
- Preparo de linfocitos hepler
- Anticorpos anticardiolipina
- Fator anticoagulante lupico
- Anticorpos antinucleo
- Anticorpos Anti-DNA
- Anti-Ro e Anti-La
- Antiperoxidase tieroideana
- Antitireoglobulina
- Dosagem cel NK (CD-3, +16, +56)
- Teste atividade NK

Exames de coagulação: 
- Fator V de Leiden mutação G 1691A
- Mutação G20210A no gene da protrombina
- Dosagem de proteina C
- Dosagem de proteina S
- Dosagem de antitrombina III 
- Mutação do gene da metilieno tetrahidrofolato redutase – (MTHFR) - (Variantes C677T e A1298C)
- Mutação PAI­‑1 (675G>A (4G/5G) e 844A>G)
- Fatores VIII, IX, IX e XIII
- Fator de von Willebrand (F vW)

Principais exames de Trombofilias

:: TROMBOFILIAS HEREDITÁRIAS ::

Resultam da deficiência de componentes que fazem parte do sistema de coagulação. Estão associadas com o tromboembolismo venoso e adversidades durante a gravidez. Estão incluídos nesta categoria:

- Mutação do Fator V de Leiden (R506Q)

- Mutação do gene da protrombina (fator II- G20210A)

- Deficiência da Antitrombina

- Deficiência da proteína C

- Deficiência da proteína S

- Mutação do gene da metilieno tetrahidrofolato redutase – (MTHFR) - (Variantes C677T e A1298C)

- Aumento do fator VIII (estudos recentes)

- Fator IX e XI elevados (estudos recentes)

- Fator XIII (Fator XIII Val-34-Leu) – (estudos recentes)

- Polimorfismo no gene beta-cistationina sintetase

- Hiperhomocisteinemia -

- Mutação PAI­‑1 675G>A (4G/5G) e 844A>G (estudos recentes)

- Níveis elevados do Fator de von Willebrand (F vW) – ainda em estudo

:: TROMBOFILIAS ADQUIRIDAS ::

- Anticoagulante lúpico -

- Anticorpos anticardiolipina -

- Anticorpos antifosfatidilserina –

- FAN (fator antinuclear) -

- Anticorpos anti- beta-2-glicoproteína 1 -

- Anti-fosfatidil-etanolamina -

- lipoptn (a) -


Retirado de: Trombofilia e Gestação - http://www.trombofilia.com/principais-exames

Tipos de Trombofilias

:: HEREDITÁRIAS ::

- Deficiência da Antitrombina

- Deficiência da Proteína C

- Deficiência da Proteína S

- Deficiência de Proteína Z

- Mutação Fator V Leiden (R506Q) Resistência APC (APCR)

- Mutação do gene da Protrombina G20210A

- Mutação da MTHFR (Variantes 677C>T e 1298A>C)

- Mutação PAI-1 675G>A (4G/5G) e 844A>G

- Disfibrinogenemias

- Fator IX Elevado

- Fator XI Elevado

:: ADQUIRIDAS ::   

- Síndrome dos Anticorpos antifosfolipides (SAAF)


:: MISTAS/COMBINADA :: 

- Hiperhomocisteinemia

- Atividade Elevada do Fator VIII

- Aumento do Fibrinogênio


:: OUTRAS TROMBOFILIAS :: 

- ACE Ins/del Fibrinogénio (455G>A)

- Fator XIII (Val34Leu)

- APOE (Cys112Arg e Arg158Cys)

- EPCR (4678G/C)

Classificação das Trombofilias

ALTO RISCO TROMBÓTICO

- Homozigose Fator V Leiden
- Homozigotia Protrombina G20210A
- Deficiência de Antitrombina
- Síndrome dos Anticorpos antifosfolipides (SAAF)
- Trombofilias combinadas (Dupla heterozigose para Fator V Leiden e Protrombina G20210A, por exemplo, dentre outros)

MODERADO RISCO TROMBÓTICO

- Heterozigose Fator V Leiden
- Heterozigose Protrombina G20210A
- Deficiência Proteína C
- Deficiência Proteína S
- Persistência de Anticorpos antifosfolipides

BAIXO RISCO TROMBÓTICO

- Mutação da MTHFR (Polimorfismos C677T e A1298C)
- Mutação do PAI-1 (Polimorfismos 675G>A (4G/5G) e 844A>G)
- Hiperhomocisteinemia
- Outras


FONTE: Artigo “Rastreio de Trombofilias” - Boletim da SPHM Vol. 27 (4) Outubro, Novembro, Dezembro 2012 – Lisboa - Portuga

O que é Trombofilia?


Trombofilia é basicamente uma falha genética, hereditária ou adquirida, que faz com que o corpo tenha uma pré-disposição a formar coágulos de sangue e não dissolve-los sozinhos, podendo obstruir as veias sanguíneas. Esses coágulos podem causar diversos males, como trombose venosa, embolismo pulmonar, acidente vascular cerebral, infartos, dentre outros, que se não diagnosticados a tempo, podem levar à morte. Esta falha também estaria relacionada à dificuldade de implantação de embrião ou abortos de repetição

Existem vários tipos, entre baixo riscos até riscos elevados, diferindo também no tratamento entre elas.

O uso de anticoncepcionais é fator que aumenta o aparecimento dessa doença, especialmente entre as mulheres que quando pretendem engravidar, necessitam de um acompanhamento mais que especial com um Ginecologista / Obstetra de alto risco juntamente com o acompanhamento de um hematologista.

Postagens relacionadas:

Tipos de trombofilia

Classificação de risco

Principais exames

sábado, 21 de maio de 2016

Sobre a consulta de retorno com o hematologista...

Ontem marido nem sequer lembrava que teríamos a consulta e ainda perguntou se eu queria que ele fosse. Nessas horas, eu preciso respirar fundo para não iniciar uma briga desnecessária... Respondi simplesmente que sim, eu queria que ele fosse junto.

Chegamos quinze minutos antes do horário. Na recepção do prédio erraram meu nome no crachá e eu tive que pedir para consertarem... (não me julguem... só que eu realmente detesto quando erram meu nome).

No consultório logo percebi que haviam três pessoas na nossa frente. é, isso mesmo. Estava exatamente no nosso horário e ainda tinha três pessoas na frente e lá não é por ordem de chegada não. Tudo estava super atrasado. Até entendo o motivo do atraso. Esse médico hematologista passa um bom tempo com cada paciente, ele gosta de explicar tuuuuuudo, então super vale a pena essa espera toda.

Duas horas depois do previsto, fomos atendidos. Dessa vez eu estava mais tranqüila do que da outra consulta (vide post Consulta Hematologista e provável TPM). Comecei mostrando os exames que já tinha mostrado na consulta passada e depois entreguei os novos. Ele olhou e assinalou quatro itens nos exames: Mutação MTHFR (homozigoto A1289C), Polimorfismo PAI1 4G/5G, Fator VIII e Fator IX.

Bem, como eu já tinha dito no post "Fatores de trombofilia? Heparina? Causa do aborto?", eu já sabia que era trombofilia mesmo... Estava meio conformada com a idéia.

Aí ele foi explicar lá que eu tinha fatores que aumentavam o risco de fazer coágulos e esses coágulos podiam interromper o fluxo sanguíneo e causar uma trombose. Que era uma alteração genética que fazia com que eu demorasse o dobro do tempo para desmanchar esses coágulos do que uma pessoa sem essas alterações. Que em situações especiais, como a gravidez, tinha que tomar alguns cuidados, pois a gravidez por si só também aumenta esses fatores de coagulação...

O que ele recomendou a respeito? Usar AAS e umas vitaminas manipuladas e a partir da fase lutea, usar anticoagulante e cálcio. Caso engravide, manter as medicações até o período puerperal. Todo mês fazer consulta de acompanhamento no hematologista, além do acompanhamento com o obstetra.

Lógico que não fiquei nem um pouco animada com isso. Fui logo imaginando como seria tentar natural com baixas chances de sucesso e, mesmo assim, ter que me furar umas 15 vezes todo mês... Imaginando como seria essa gravidez com as tais "picadinhas do amor", imaginando como seria ficar nove meses aflita sem saber se o bebê estava bem ou se havia parado o coração.

Acho que o médico percebeu e já foi logo dizendo que não era para ficar triste e com medo quando pegasse o positivo pois com as medicações iria diminuir os riscos e seria uma gravidez quase normal. Ele também recomendou que evitasse comentar muito sobre isso com as pessoas em geral, pois a maioria não entende e poderiam falar muitas bobagens que só me deixariam para baixo.

Assim como aquele obstetra de alto risco que fui quando estava grávida, este hematologista costuma atender muitas grávidas desesperadas, então imagino que ele já sabe mais ou menos o que passa pela cabeça delas.

Perguntei (só por perguntar mesmo, porque eu já planejo fazer pré natal com obstetra de alto risco de qualquer forma) se o obstetra teria que ser de alto risco. Aí o hematologista disse: "olha, eu não costumo chamar de gravidez de alto risco, costumo chamar de "gravidez preciosa", ok? Porque a rigor, realmente é uma gravidez preciosa por tudo que vocês passaram e nós vamos acompanhar direitinho ela".

Sai do consultório com uma peca de papeis: O receituário com as medicações para usar nas tentativas e gravidez, instruções de locais de aplicação da medicação, uma declaração que sou portadora de fatores de risco para trombofilia (esta declaração é para que eu tente conseguir as medicações pelo sus ou pelo plano de saúde), recomendações para viagens longas de mais de oito horas e recomendações sobre o uso de anticoncepcionais, caso precise voltar a usar.

Quando estava prestes a sair do consultório, vi que meu nome estava escrito errado nos papéis, não resisti, tive que falar que estava escrito errado. Aí o médico disse que foi bom ter avisado porque poderia dar problema na documentação quando fosse tentar solicitar a medicação. Ele fez outros papéis, dessa vez com o nome escrito correto, e me entregou. =P Até que tem suas vantagens esse meu abuso quando erram meu nome.


Digamos que estou bem perdida com tudo isso. Queria que num passe de mágica chegasse o dia em que saímos da maternidade com o pacotinho nos braços. Agora realmente não me passa mais pela cabeça voltar para casa e ficar esperando acontecer.

O hematologista disse que a trombofilia pode ter atrapalhado na implantação do embrião na primeira gravidez e talvez tenha atrapalhado na fiv também, então eu estou me apegando nisso. Na próxima tentativa da fiv usarei o anticoagulante e tem tudo para dar certo, tanto engravidar quanto manter a gestação. Resta só saber quando será isso.

quinta-feira, 19 de maio de 2016

A ressonância magnética e seu resultado


Peguei a guia e fui ligar para agendar o exame com o médico que dr Famosinho tinha indicado fazer. A ligação não completa. Ligo novamente, nada. Ligo novamente, nada.

Resolvo procurar no google. Aí me dei conta que não dava para procurar, colocaram só o primeiro nome do médico radiologista. Teria que, pelo menos, ter o sobrenome para conseguir achar. Mando zap para a secretária perguntando sobre o telefone. Oh sim, tinham me dado o número errado, invertido. Enfim, ligo para agendar. Era dia 9, consegui agendar para dia 16. Me dou conta que dia 16, talvez eu estivesse no red. Eu pergunto se o exame pode fazer menstruada, a atendente ficou meio sem entender e disse que não havia problema nenhum (e com essa resposta dela, eu também fiquei confusa, algumas tentantes me falaram que precisava colocar um gel na vagina pro exame... Vai entender né) Depois a atendente perguntou se eu tinha claustrofobia. (respondi que não, bem, pelo menos eu acho que não tenho) Por fim, ela perguntou meu peso e nessa hora eu comecei a cogitar que provavelmente seria um exame com contraste. Nunca tive problema com contraste, mas a minha mãe tem muito medo de exames assim e eu fico um tiquinho receosa, vai que o medo dela tem algum fundamento, sei lá. Já teve aqueles casos anos atrás de umas pessoas que morreram com a aplicação de contraste.

Sábado acordo com o telefone tocando. Atendo, é do laboratório de imagem para confirmar o horário de segunda. (Meu Deus, já é segunda? dia 16 já é depois de amanhã?? Quando agendei dia 16 parecia ser algo tão longe...). Sábado o red chegou. (É, bem que desconfiava que faria o exame menstruada... Mas a atendente disse que não tinha problemas, então vamos ver.)

Segunda. Dia do exame. Não sabia se tinha que fazer jejum ou não por causa do contraste, ninguém falou nada sobre isso, então acho que não precisava... Massssss a mente catastrófica da pessoa já pensou que se eu tivesse algum problema de reação seria melhor que estivesse de jejum, sei lá né. Resolvi então, não tomar o café da manhã. Comeria alguma coisa depois do exame. O exame estava marcado para 9h.

Chego lá no laboratório de imagem. Me dão um questionário para responder, ta isso eu imaginava que teria que responder mesmo... é um exame com contraste. Pergunta: Você fez alguma cirurgia antes? E começo a refletir se curetagem é considerado cirurgia ou não. Resolvo que não. Perguntinha do final: Você autoriza o uso de contraste estando ciente dos riscos e blablabla? Pergunto para atendente que se caso eu tenha alguma reação, existe algum médico para socorrer. Ela responde que tem. Bem diante disso, é o jeito. Marco o x e aceito o contraste. Entrego a prancheta. Trinta segundos depois, peço a prancheta de volta. Esqueci, já fiz cirurgia sim. Há doze anos, redução de mama. Anoto lá. E pensando bem, já que falei da cirurgia de mama... vou botar a curetagem também, é ressonância pélvica, vai que tem alguma influencia. Devolvo a prancheta.

Chega a hora do exame. Mandam eu me trocar, ficar só de calcinha e colocar a bata. (Bem, com isso eu acho que não vai ter gel nenhum não) Depois me levam para uma cadeira e vão começar os preparativos pro exame. Me furam e colocam um acesso. Depois a moça vem com uma seringa. (Aí eu penso pronto, deve ser o contraste... é agora). Alarme falso, a moça diz "isso é um soro, estou liberando passagem no acesso". Depois me colocam numa maca e umas coisas em cima da pelve. Me levam para a sala de exame e encaixam a maca em alguma coisa. Depois a moça me entrega uma bolinha e diz "qualquer coisa se quiser falar comigo, aperta essa bola que eu venho". (hummm interessante, pelo menos se eu tiver morrendo dá para pedir socorro. E se esqueceram algo metálico na cirurgia dos seios? E se eu tive reação ao contraste? E se eu tiver um ataque claustrofobia?) Aí a maca começa a entrar no aparelho. Minhas pernas entraram, meu corpo, minha cabeça... Humm mas a cabeça ficou um pouco para fora, melhor. Realmente a maquina de ressonância é bemmm apertadinha, deve ser agoniante entrar totalmente nela.Começa o barulho. Uns cinco minutos depois aparece a moça e diz que vai aplicar o contraste. Pronto... vai ser agora. E não sinto absolutamente nada. Pensei que sentiria calor, já usei contraste uma vez e senti calor por dentro. Mas, dessa vez, não senti absolutamente nada. A maquina começou novamente a trabalhar. Uns cinco minutos depois a moça apareceu dizendo que o exame tinha acabado. O resultado sairia dois dias depois, as 18h.

Dois dias depois, fui para terapia (simmmmm, eu voltei para a psicóloga) e o laboratório de imagem fica no mesmo prédio comercial. Sai da sessão as 16:30 e pensei em passar lá no laboratório para pegar o exame, geralmente esses exames costumam fica pronto antes do prazo e como é só questão de uma hora e meia... Grande engano. Chego lá e o rapaz do balcão olha no sistema e diz que só fica pronto as 18h. Ok né, fui pegar antes do prazo. Pergunto se tem algum risco de não entregarem hoje. O rapaz diz que não, eles entregam hoje sim, mas só as 18h.

Resolvo ficar rodando pelo prédio 1hora e meia para pegar logo o exame. 17:50 vou novamente no laboratório. O rapaz olha o sistema e novamente diz "ainda não está pronto, só 18h mesmo". =O

A minha mente começa a viajar."Será que tem algo errado? Porque ainda não está pronto? O prazo de entrega era 18h então ele já devia estar pronto..."

18:15 vou lá novamente. O rapaz me diz: "Ainda não está pronto, eles ainda estão fazendo."

Infelizmente tive que dar uma de chata. "Olha, eu perguntei mais cedo se teria algum risco de não entregarem isso hoje e você disse que não, que seria entregue hoje. Eu estou aqui esperando desde 16:30. O prazo de entrega era hoje as 18h. Se não conseguem entregar no prazo, para que quê colocam esse prazo, podiam ter colocado para amanhã."

Aí agilizaram lá e cinco minutos depois, finalmente me entregaram o exame.


Resultado da ressonância. Não apareceu a endometriose \o/ mas, em compensação, estou com dois cistos...um de cada lado.

Acho que não estou ovulando. Fiz a fiv em março, não tinha cistos. Aí teve abril e maio. Seria coincidência ter exatamente dois cistos e em ovários diferentes? Não, acho que não. São os folículos que não romperam.