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sexta-feira, 27 de novembro de 2015

Contrariando a lógica

Nãoooo consegui ficar longe. O blog faz parte da "minha terapia", então como já estava a beira de uma crise de abstinência de escrever por aqui... Volteeeeei!

O que aconteceu nesses dez dias?

Muuuuuita coisa... Muitos pensamentos, reflexões, decisões, desesperos, choros...

O sangramento finalmente parou (mais ou menos). A dor física, por incrível que pareça, ainda permanece, embora, agora, em grau menor. A dor emocional também...

Foram muitos dias com aquela desconfiança total que algo tinha dado muito errado no procedimento, afinal, a gente costuma ver relatos onde dizem "não senti dor nenhuma" e comigo foi justamente o contrário. Eu esperava não sentir dor, até porque existem remédios e tal, mas não foi o que aconteceu. Senti uma das piores dores físicas que já senti na vida. Os remédios não faziam efeito.

Coloquei na cabeça que queria saber se o hcg já havia saído do corpo, fiz exame e a resposta é que com 15 dias após amiu, estava com beta hcg = 98. Talvez daqui uns dias suma de vez.

Ontem, foi o retorno e a despedida do obstetra de alto risco. =( Afinal, não estou mais grávida...

Relatei os sintomas e ele achou por bem fazer uma checagem via ultrassom, tudo ok.

Então, conversamos sobre o que aconteceu. Cada mulher tem uma reação diferente, não há como fazer uma previsão correta, não há como saber se os medicamentos realmente irão fazer efeito... Mais uma vez me deparo com a frase "na medicina tudo é muito impreciso... ". Só que dessa vez foi dita por um profissional que passei a confiar e admirar.

O obstetra admitiu que ficou muito preocupado comigo. Lembram que eu tinha dito que ele iria viajar logo após a cirurgia e que iria deixar outro médico como substituto para emergências? Sim, ele viajou, mas não programou seu celular para desviar as chamadas pro médico substituto... Dizendo ele, ele tinha certeza que iríamos ligar nos dias de pós operatório... como, de fato aconteceu, ligamos duas vezes. Estranhamos ele próprio atender, afinal, esperávamos ser atendidos pelo outro médico.

O porque da preocupação se tudo tinha ocorrido bem? o lado psicológico. Vocês sabem como esse processo da gravidez até chegar ao aborto foi extremamente complicado. Ele também estava sabendo... eu havia escrito um relato para ele quando mandei um email tirando algumas dúvidas na tentativa de conseguir me decidir a respeito da conduta que adotaríamos no processo do aborto. E, no fim, por realmente estar esgotada psicologicamente, optei pela cirurgia. Não que a cirurgia fosse uma coisa que gostaria de fazer. Mas dentre as duas escolhas que tinha, pesando todos os acontecimentos vividos até então, a cirurgia seria a menos pior ...talvez.

Uma coisa que eu não sabia é que o estresse emocional está diretamente ligado ao limiar de dor de uma pessoa... Acho que o médico estava totalmente ciente disso. No dia do procedimento, de fato, o soro estava "batizado", um calmante talvez? Uma tentativa, embora fracassada, de minimizar o estresse do momento.

Há diversas pesquisas científicas que relacionam o estado psicológico da pessoa no PRE-operatório e a dor no PÓS-operatório. Quanto mais estressada, ansiosa e nervosa estiver, maiores as chances de sentir dor.

Então, vendo deste modo, eu estava mesmo lascada. Seria quase impossível sentir dor nenhuma, e chances enormes de sentir, muita, muita dor; como aconteceu. Muito provavelmente se tivesse optado pela expulsão espontânea também teria me acabado de dor e a dor poderia durar muito mais dias...

Ainda sinto dor, em menor quantidade. Mas, pela explicação do médico, isto está relacionado mais ao meu emocional que não esta legal... Fisicamente está tudo bem e os meus sintomas atuais talvez tenham mais a ver com meu "processo de luto". A medida que eu conseguir me desligar disso, a dor irá melhorar, como, de fato, está a acontecer.

Aproveitei a consulta para tirar várias dúvidas.

Sobre essa epidemia de casos de microcefalia e a recomendação absurda do ministro da saúde para que as "mulheres não engravidem".  Moro no Ceará, e aqui até o momento, já há registro de 16 casos. Entretanto, o médico estava tranqüilo e disse que não precisava ficar tão preocupada, ainda estão estudando se de fato existe alguma ligação entre o mosquito e o vírus da Zica. Até lá, usasse repelente. Ele recomendou o OFF.

Também tirei finalmente aquela dúvida que toda tentante tem. Há algum problema em consumir álcool, tomar medicação, ou fazer exercícios nesse tempo antes de descobrir a gravidez? Segundo o médico, não há riscos nenhum. É vida normal até o Beta marcar positivo. Com isso, já fico super mais relax. Antes dava vontade de parar a vida ou se não parasse ficava com um tremendo peso na consciência.

Perguntei também, se poderia fazer o mapeamento da endometriose que eu havia remarcado para o começo de Dezembro ou se teria que remarcar novamente. Ele disse que poderia fazer, mas que não via sentido uma vez que endometriose causa dificuldade para engravidar e eu havia ficado grávida.

Sim, a endometriose causa dificuldade, mas, dependendo do grau, não chega a impedir uma gravidez... Então eu poderia ter endometriose sim e ter ficado grávida também. Mas o real motivo desse exame é descobrir a causa daquelas pontadas no lado esquerdo, lembram? O mistério continua.

O que me deixou extremamente entristecida, foi novamente ouvir: "na medicina tudo é muito impreciso... " quando perguntei sobre o possível retorno da minha menstruação.  O obstetra disse que dependeria do meu corpo, de como ele interpretaria o fim da gravidez. Há mulheres que menstruam logo, outras que demoram meses e meses... Que eu teria que ser paciente. Pelo médico, a recomendação seria de voltar a tentar após o 1º ciclo. Mas como eu já havia questionado ele, sobre riscos de voltar a tentar antes disso e ele havia dito apenas que não havia riscos maiores, apenas seria extremamente difícil acontecer uma gravidez... Então, decidi voltar a tentar imediatamente. Se mal não faz, é apenas improvável... Porque não arriscar?

Como eu havia pedido antes, ele me indicou um médico especialista em reprodução.  Me deu um contato para falar diretamente com o médico e que dissesse que fui encaminhada por ele.

Então, por enquanto é só.


terça-feira, 17 de novembro de 2015

Dando uma pausa

A jornada até agora foi bastante longa.

Começou em novembro/2014, com a parada do AC que tomei durante 15 anos... Teve ciclos de amenorréia, exames de farmácia negativos, betas negativos, desespero, desilusão com a classe médica e começo de depressão, começo de rotina diária de exercícios, nova esperança com outra médica, possíveis exames, gravidez de surpresa, período de espera, morte... novamente voltando a um período de espera, minha mente novamente chora...

Fiz o procedimento dia 11.11.15.

Tenho dores físicas, atualmente tomando três medicações para a dor simultaneamente...

Tenho sangramento, que vai e volta. Some e reaparece com impacto total...

Dizendo o médico que pode haver sangramento até 15 dias após o procedimento, estou calculando esse prazo para que a dor acabe também, apesar que ele não tinha falado nada sobre dor. Segundo ele, não era para estar sentindo tanta dor física.

Já pensei tanto, queria voltar a tentar logo. Mas toda vez que a dor chega (são como facadas...me sinto cortada por dentro), me desespero. Será que deu algo errado? Será que isso é normal? Quando será que vai passar? Será que sentirei dor ao tentar ter relações?

Tenho consulta de retorno 15 dias após o procedimento, exatamente no período que teoricamente é para tudo ter acabado... Sangue e dor. Tenho medo...de mais alguma coisa dar errado. Tenho esperança que esse pesadelo acabe de uma vez.

Penso em ir fazer um Beta pouco antes da consulta, só para ver se já zerou...O médico não me disse se iria fazer um ultrassom, mas acredito que ele vá fazer, durante a consulta de retorno.

Queria voltar a tentar. Mas bate um medo, e se acontecer tudo novamente?  Tenho medo de ter dado mais alguma complicação e que demore ainda mais para dar certo novamente...

Ao mesmo tempo, eu fico feliz. Eu fui mamãe. Quer dizer que é possível sim. Foi difícil, mas é possível.

Queria voltar a tentar. Eu sondei com o obstetra e ele disse que após o primeiro ciclo já poderia voltar as tentativas. Podia até arriscar antes, só que tendo consciência que tentar antes de ter o primeiro ciclo, teria chances mínimas... Por causa da bagunça que fica, no endométrio, na ovulação...

Engravidar antes do primeiro ciclo, não traria risco aumentado de aborto, essa questão do endométrio fino não prejudica gravidez, apenas diminui a capacidade de engravidar. Enquanto o endométrio não atinge novamente a medida ideal, o embrião simplesmente  não terá espaço para se fixar. Se, por acaso, conseguir engravidar, será porque o endométrio já estará recuperado e preparado para uma nova gestação.

Não há como saber como ficará a ovulação. Não sei se ovularei, posso ter ciclo anovulatório. Se ovular, também não sei quando será. Não sei se depois de 15 dias após o procedimento, ou bem depois disso.

Não sei quando a menstruação irá retornar. Se com 28 dias, com 30 dias, com 45 dias...qualquer dia é dia. Se passar dos 45 dias e não chegar, significa que precisarei investigar as causas da amenorréia.

Estou de certa forma, arrasada. Quando você quer muito uma coisa, mas sabe que não tem nada que possa fazer no momento...

Estamos praticamente no final do ano... 15 dias após o procedimento, irá cair no final de Novembro. Se o ciclo resolver chegar com 30 dias, chegará na metade de Dezembro. Se chegar apenas com 45 dias, pegará exatamente o recesso de natal... Então, tenho que me conformar, agora só ano que vem.

Obstetra prometeu que me encaminharia para algum médico mais especializado que esteja disposto a realmente me ajudar, não igual a todos os médicos que fui até agora, que parecia que era um favor muito grande me atender, pedir exames então, só milagre...

Mesmo assim, acho que os exames só poderão ser feitos, após o primeiro ciclo?

2015 vai se indo. De novembro/2014 até agora, novembro/2015...

Em janeiro/2016, um ano e um mês de tentativas, um aborto. Sim, é uma longa história...

Não há nada que possa fazer agora. Vou deixar essa história de lado até o ano que vem. Vou tentar viver a vida, tentar segurar as lágrimas, esquecer um pouquinho os sonhos...

Que 2016 venha cheio de esperança, seja um novo começo.

Tchau, até o ano que vem.

sexta-feira, 13 de novembro de 2015

Um ponto final

Hoje após conseguir dormir (fazia dois dias que não dormia direito), acordei bem melhor.

As dores continuam, quando me movimento... mas, em compensação, o sangramento está bem menor e agora eu consigo fingir que estou só no RED.

marido e eu, chegamos a conclusão que:

-Para ele, a vida começa após o nascimento.

-Para mim, a vida começa a partir do beta positivo.

-Então, para ele, não houve morte, apenas uma expectativa de vida que fracassou.

-Para mim, eu perdi um filho.

Com isso, a gente percebe que ele realmente não consegue compreender o motivo de eu ter ficado tão triste... Se bem que acho, que para quem perdeu um filho, eu estou até reagindo bem.

Descobri que o coração parou sábado, quarta fiz o procedimento, fiquei triste na quinta e já estou caminhando para ficar normal na sexta... Já consigo dormir e comer. E nem estou chorando mais.

Lógico que ainda preciso aprender a escutar certos comentários desnecessários de pessoas, com essa outra visão a respeito de "quando começa a vida". Porque essas pessoas nunca irão entender o luto por uma vidazinha que nunca cheguei nem a ver o rostinho no monitor.

Nunca irão entender que eu SENTI a vida, tanto que quando a sensação de ter a VIDA sumiu, eu fiquei aflita, eu sabia... Antes do ultrassom me dizer.  

Foi por pouco tempo, mas foi real.

quinta-feira, 12 de novembro de 2015

Quase um ponto final - Parte 4

AVISO: Este post relata especificamente como foi a vivência de fazer um procedimento cirúrgico para um aborto retido desde as 7 semanas, hoje estaria com 9 semanas e 5 dias.é um relato muito forte. Recomendo a NÃO leitura.

Porque estou escrevendo isso? Para ver se consigo aliviar meu coração.

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12.11

Acabei de desobedecer as recomendações médicas.

Estou sentindo muitas cólicas, tomando buscopan duo de seis em seis horas e mesmo assim a dor estava super persistente.

Pedi para Marido ligar para o médico e perguntar se isso era normal. Ele ligou e o médico disse que era normal. SÓ ISSO.

Me recusei a acreditar, nenhuma orientação mais? Nenhum outro remédio mais forte poderia ser tomado? Fui ler a bula do buscopan duo e lá diz que pode ser tomado de quatro em quatro horas, não tive a menor dúvida. Tomei outro comprimido e fui dizer ao Marido sobre a bula.

Marido gritou comigo, me chamou de LOUCA, disse que se eu quisesse ME MATAR que me matasse sozinha. Que ele iria sair. Não iria ficar aqui para ver.

Ok, agora estou mesmo mais do que sozinha, ele saiu para fazer sei lá o que. Vocês sabem que se eu quisesse me matar, muito provavelmente já o teria feito. Só que não entendo porque as pessoas não se importam, estou sentindo dor e não estão nem aí.

Se o remédio pode ser tomado de quatro em quatro horas, porque eu preciso tomar de seis em seis? Se estou sentindo dor e ficar sentindo essa dor piora também o meu lado psicológico... Ficar sentindo dor me faz pensar que pode ter acontecido algo errado...

O engraçado é que o médico tinha dito "vida normal". Como ter vida normal sentindo dor? e sendo ignorada?

Continua...

Quase um ponto final - Parte 3

AVISO: Este post relata especificamente como foi a vivência de fazer um procedimento cirúrgico para um aborto retido desde as 7 semanas, hoje estaria com 9 semanas e 5 dias.é um relato muito forte. Recomendo a NÃO leitura.

Porque estou escrevendo isso? Para ver se consigo aliviar meu coração.

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Vinte minutos que o médico saiu do quarto e nada de trazerem o remédio para dor que eu tanto pedi... 

Peço para marido ir lá no posto de enfermagem novamente ver o que estava acontecendo.
Marido volta e diz que, apesar do médico que ido lá fazer a prescrição, aparentemente elas "esqueceram" de ir pegar os remédios na farmácia ¬¬

Estou super triste, parece que essas enfermeiras estão nem aí que eu estou sentindo dor e que a dor está aumentando.

Mais quinze minutos. Chega aquela mesma mulher que mediu a pressão. Ela traz uma bandejinha...

Ela vai para meu braço esquerdo tentar procurar veia. Reclama da pulseirinha que está atrapalhando.. e simplesmente arranca a pulseirinha fora (acho que ela não devia ter feito isso, essa pulseira existe por alguma razão  e ela simplesmente arrancou. Imagina se faz isso com os recém nascidos? É UM PERIGO. RISCO MUITO GRANDE DE TROCAREM BEBÊS, não acham?)

Ela não consegue achar a veia. Me fura na metade do braço e depois apela para furar nas costas da mão. Consegue finalmente furar. Coloca o acesso e depois pega uma seringa.

"Ele receitou buscopan, é o melhor para dores abdominais". Imediatamente as dores melhoram.

Depois ela liga o fio do soro no acesso. e vai embora.

Cinco minutos depois, estou me sentindo estranha. Relaxada. Fico pensando se buscopan faz isso O.O porque eu nunca tomei buscopan na veia e realmente não sei qual seria o efeito dele. A sensação é muito estranha. É como se os pensamentos que estavam me deixando aflita sumissem e eu estivesse lá praticamente só de corpo presente. Fui comentar com o marido isso... Até eu comecei a sorrir ao explicar a sensação. Era estranho.

Eu comecei a pensar que o remédio estava "batizado" com mais alguma coisa. Depois vi que não foi a seringa que estava "batizada", foi o soro... Tinha algo escrito na embalagem, não era apenas soro...mas não consegui ler direito da cama. Me drogaram sem me avisar? Até que gostei, a mente relaxou. Apesar que não acho isso certo, medicar sem dizer o que é.

Por volta das 12h, vieram com um comprimido oral. também não me disseram o que era, disseram apenas que eu sentiria sono. Pensei "oba, vou dormir e depois que acordar, estará acabado".
As 15h, eu acordo. e pouco depois aparece uma mulher e vem observar como anda o sangramento e tal. Mesmo tendo tomado buscopan na veia, sinto pontadas de cólica no ventre.

VInte minutos depois, chega um rapaz com a maca. Dizendo ele que iria me levar para o centro cirúrgico. Disse logo, que eu não iria para lugar algum. Eu estava acordada. Só sairia daquele quarto dormindo. Percebi o pior erro das enfermeiras, deram o comprimido muito antes do horário e ele passou o efeito.

Fiz escândalo. Não iria sair daquele quarto se tivesse acordada consciente. O maqueiro foi embora, falar com as enfermeiras e se elas conseguiam achar o médico para decidir o que fazer. Marido fica nervoso. Liga para o celular do médico, ele concluiu exatamente o mesmo que eu...

Deram o comprimido muito antes do horário e ele passou o efeito. Agora provavelmente já não poderia tomar ele novamente.

Marido diz que o médico disse que iria falar com o anestesista, porque realmente não poderia voltar a dar outro comprimido e agora o único jeito era a anestesia. Só que a anestesia só é feita lá, no próprio centro cirúrgico, por riscos de complicações.

Não estou nem aí, não saio deste quarto acordada de jeito nenhum! Culpa deles que deram o remédio no horário errado, avisei desde cedo que só sairia do quarto para o centro cirúrgico se fosse inconsciente.

O anestesia aparece no quarto, faz algumas perguntas sobre alergia e tal. Depois fala sobre os riscos da anestesia fora do centro cirúrgico. Que ele não poderia aplicar porque poderia ter alguma reação e não teria formas como reverter estando foram do centro cirúrgico.

Eu repito novamente totalmente em desespero: não irei sair daqui, se não estiver inconsciente.

Ele então diz que vai dar a sedação, mas que não irá aplicar muito, pois os riscos são muito grandes.

Começo a me sentir meio groge, mas ainda estou consciente de tudo. Enfim, me transfiro da cama, para a maca. Ele colocar só um pouco mais do medicamento. Eu fico mais groge ainda e fecho os olhos. Sinto que a maca está se movendo.

Acordo. Estou em algum lugar com várias macas ao lado. Estou me tremendo, com muito frio. Consigo chamar uma enfermeira e peço para ela me cobrir. (Achei estranho, eu que chamei ela... geralmente em cirurgias alguém vem tentar acordar a gente ¬¬ chamando nosso nome... Bem foi isso que fizeram quando fiz a cirurgia de redução de mama com 17 anos. Detalhe que nessa cirurgia, eu me lembro muito bem, já sai do quarto dormindo, após tomar um comprimido. A cirurgia com anestesia geral e tudo ¬¬).

Dez minutos depois, era por volta de 17h/17:30... Enfim volto para o quarto. O maqueiro pergunta se estou sentindo as pernas. Não entendi a pergunta dele O.O imediatamente levantei a perna normal, totalmente normal.  Depois lembrei que possivelmente anestesiaram da cintura para baixo, por isso que ele perguntou isso. Bem, estou de volta a cama.

Me sentindo normal, exceto que queria ir ao banheiro. A enfermeira disse que eu poderia me levantar e ir. Mas eu  estava com a sensação que se me levantasse iria cair no chão. Talvez porque estava sem comer desde 6h da manhã e já era quase 12 horas depois. Foi o dia da aparadeira...e do sangue.
Dizendo marido que eu estava sangrando mais ainda, eu estava sangrando desde que coloquei os comprimidos, mas depois que voltei do procedimento, estava sangrando ainda mais. Dizendo a enfermeira, estava tudo dentro da normalidade.

Marido então me diz, que o médico veio falar com ele depois, disse que tinha dado tudo bem e eu o receituário dos remédios para tomar no pos operatório apenas em caso de dor. Remédio para dor e para gases (AMIU aparentemente dá gases, mas ainda não senti dor, nem de cólica e nem de gás).
Marido também disse, que no meio da cirurgia, o hospital chamou ele e disse que o plano de saúde não tinha autorizado a utilização de uns instrumentos lá, essenciais para o procedimento. Ele falou que era um kit de canolas para AMIU. Ou seja, uma coisa BÁSICA que toda AMIU necessita e o plano não autorizou. Marido mandou autorizar, pagou por fora.

Fiquei revoltada, penso em entrar na justiça contra o plano, parar a cirurgia na metade para pedir autorização de pagamento ao acompanhante...

Ah vou entrar sim! quero o ressarcimento dos 450 reais, afinal, eram instrumentos essenciais para aquele procedimento que já tinha sido até autorizado e tal. Mesmo que o problema tenha sido de marca? talvez? Mesmo assim! Colocou a minha vida em risco por oferecer uma marca ruim que o médico se recusou a usar.

Não estava com fome, mas estava louca para sair daquele lugar. Eu e Marido. Tive que comer algo para ver se a sensação de fraqueza diminuía.

Fui para casa. No trajeto me senti meio "feliz". "Acabou!".

Fui contar a saga para uma prima que é esposa de um médico e ela totalmente me condenou por não ter ido acordada até o centro cirúrgico. Falou que nos partos é tudo acordada e que eu devia ficar preparada porque você ver tudo. Cortando. Puxando.

Perdi a paciência e a sanidade novamente. Cai no choro.
Respondi:
Isso não era um PARTO! Era um ABORTO!!!! Porque você não consegue entender como isso é difícil para mim??? Porque ninguém não consegue entender?!!!!!

Estou abalada novamente. 

Quase um ponto final - Parte 2

AVISO: Este post relata especificamente como foi a vivência de fazer um procedimento cirúrgico para um aborto retido desde as 7 semanas, hoje estaria com 9 semanas e 5 dias.é um relato muito forte. Recomendo a NÃO leitura.

Porque estou escrevendo isso? Para ver se consigo aliviar meu coração.

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Peço para marido fazer as perguntas que eu deixei anotadas num papel, marido disse que achava melhor ele fazer as perguntas, já que dizendo ele, eu não estava no meu normal e poderia fazer a abordagem agressivamente.

Como tudo foi definido de um dia para o outro, não deu muito tempo de conseguir falar com ele, descobrir exatamente como seria e fazer perguntas...Ontem fiquei a manhã inteira lá no plano de saúde para autorizar tudo. Detalhe é que como o médico é particular, tem os honorários dele, para arcar por fora. 2mil.

Descobri também que preciso trabalhar "habilidades sociais", juro, não tive coragem de pegar o telefone e simplesmente ligar para ele. A idéia de fazer isso me causou angustia e não consegui enfrentar isso e conseguir ligar. =(

-Contato para emergência, já que irá viajar durante o pós operatório.

Ele disse para ligar para o celular dele, que as chamadas seriam direcionadas para um colega que está responsável pelas pacientes dele, durante sua viagem.

-Onde ir em caso de emergência?

Ele não disse, mas como ele falou que teríamos a quem ligar, talvez esse alguém indicasse onde ir.

-Quanto tempo depois do procedimento  faremos um novo ultrassom?

Não faremos ultrassom mais. O.O
Dizendo ele que não precisa de nada disso. Basta o sangramento acabar e chegar o próximo ciclo. Como assim? Não farei mais ultrassom? Mas sempre vejo no google o povo fazendo ultrassom para saber se o útero está limpinho...

-Quanto tempo poderá durar o sangramento após tudo?

Pode haver sangramento até 15 dias após a AMIU. Os primeiros dias deverão ter fluxo mais intenso que irá diminuindo com o passar dos dias.

- Que sintomas para ficar observando durante o pós operatório? 

Cólicas.

- A partir de quando pode fazer Natação, sem ter risco de alguma infecção?

Segunda feira eu já poderia voltar. Amanhã se quisesse já poderia voltar a vida normal.

- Fazer repouso de qual tipo? relativo ou absoluto?

Não preciso fazer repouso algum. Vida normal. Se quisesse, ele daria um atestado para que eu não fosse trabalhar. Mas que poderia ter vida normal, sair, ir ao shopping e etc...

- A partir de quando pode ter relações sexuais?

Após parar o sangramento.

- As relações precisam ter proteção?

Sim

- O que aconteceria se eu não me protegesse?

Uma possível gravidez... (Nessa hora parecia que a pergunta tinha sido muito idiota pelo modo como ele respondeu)

-Mas quais seriam os riscos se isso acontecer? Mais probabilidade de aborto?

Não, você teria as mesmas probabilidades de uma pessoa que engravida normalmente sem ter tido aborto.

- Mas eu pensei que a recomendação que esperasse pelo menos um ciclo menstrual seria ao fato do útero ficar fino por causa do procedimento e precisar se recuperar...

Não, não precisa disso, os danos causados pelo procedimento são mínimos.A recomendação é para constatarmos o retorno da ovulação...Porque dificilmente, nesse tempo antes da menstruação retornar, você ovularia. As chances são mínimas.

- Mas não tem risco de infecção, nem nada?

Não.

- Irei tomar algum antibiótico apos o procedimento? E durante o pós operatório?

Pouco antes do procedimento, lá no centro cirúrgico, ministramos antibiótico.Depois disso, não precisa tomar mais antibiótico nenhum.

- Qual remédio para dor posso tomar no pós operatório?

Irei fazer um receituário para você levar. Daqui quinze dias, fazemos um retorno e eu encaminho você para o especialista.

-Você vai encaminhar?

Sim, você não estava querendo ir? (Fiquei surpresa por ele tocar nesse assunto, que tinha comentado com ele antes...).
Respondo, timidamente: estava sim.

- Quais são os possíveis riscos do procedimento?

Eu poderia falar que os riscos são isso, isso e isso. e que eles são baixos... Mas para quê vamos focar nesse lado negativo?

Respondo chorando, eu estou tentando não focar no lado negativo, que estou indo até para uma psicóloga, mas eu não estou conseguindo evitar não pensar nisso...

Ele segura a minha mão tentando me tranqüilizar. E diz que vai me colocar no soro e dar um remédio para a dor.

Continua...

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Quase um ponto final - Parte 1

AVISO: Este post relata especificamente como foi a vivência de fazer um procedimento cirúrgico para um aborto retido desde as 7 semanas, hoje estaria com 9 semanas e 5 dias.é um relato muito forte. Recomendo a NÃO leitura.

Porque estou escrevendo isso? Para ver se consigo aliviar meu coração.

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Acordei. Ou talvez nem pode se dizer que dormi. Fui dormir a meia noite e as 2h da manhã minha mente ligada nos 220w. Não voltei a dormir.

Precisaria iniciar o jejum as 6:30, resolvi parar de comer e beber água as 6h, só para garantir que todos medicamentos que tomassem fizessem efeito o mais rápido possível.

As 7h, eu teria que estar começando a tomar medicações. Seria uma enfermeira introduzindo comprimidos por via vaginal.

O céu estava muito nublado. Parecia que estava tentando ser solidário a mim. Tentando mostrar que também estava muito triste... Cheguei ao hospital as 6:30. Só consegui me internar as 7:40. Sim, tinha começado muito mal. Sentada na cadeira da recepção, vendo mulheres grávidas chegarem depois de mim e sendo atendidas antes... O choro estava super fácil, mas eu tentava me controlar respirando fundo, não queria fazer cena. Tudo demoraria mais tempo para acabar.

Consegui ser internada. Primeiro só me levaram ao quarto. Depois apareceu outra pessoa, dizendo que eu tinha que trocar de roupa e tirar tudo, até meus óculos.

Gente, arregalei os olhos na mesma hora. Porque tirar os óculos agora, se o procedimento cirurgia seria só a tarde? A mulher percebeu a confusão na minha cara e explicou que era só para tirar antes da cirurgia mesmo, por enquanto podia ficar com eles. Depois perguntou se eu tinha alguma dúvida. E eu disse: sim, pode me explicar tudo que vai acontecer? Não me explicaram direito nada.
Ela perguntou se eu já tinha usado os comprimidos antes...

"Não, foi a minha primeira gravidez e meu primeiro aborto." agora eu vejo que não deveria ter dito assim, porque falar "primeiro aborto"? Não haverão mais, se Deus quiser.

Depois eu perguntei sobre a sedação/anestesia, sei lá como chamam aquilo que usam para nos fazer dormir.

Ela disse que essa parte só é feito lá dentro do centro cirúrgico.

Na mesma hora, eu disse talvez até sendo agressiva demais: "Não saio deste quarto sem estar dormindo de jeito nenhum".

Ela responde: Não podemos fazer isso, não tem nada prescrito. Só falando com o médico.
"Então liguem para ele, porque eu não saio deste quarto sem estar dormindo nem amarrada."
 Ela percebeu que não tinham me entregue nenhuma bata para que eu trocasse de roupa... e saiu do quarto.

Marido queria que eu deitasse logo na cama, mas eu disse que ficaria sentada na cadeira, por enquanto. Afinal ainda teria que trocar de roupa e tal. Sentei na cadeira e desabei. Chorei Chorei Chorei. Porque parece que ninguém entende como isto é difícil para mim? Também tinha o fato de já estar sentindo cólicas e nem sequer ter começado nada ainda.

Eram 8:30 quando finalmente me trouxeram uma bata para que pudesse trocar de roupa. Troquei de roupa, logo uma enfermeira aparece, percebo que ela ficou meio perturbada ao ver meu rosto coberto de lágrimas.

Ela mediu a minha pressão. Geralmente costuma ser 12/8 e lá estava 10/6. Saiu do quarto.

Marido foi ao posto de enfermagem, tentar saber porque estavam demorando tanto para iniciar a medicação. Dizendo ele, que o motivo era pura burocracia. No receituário o médico deveria ter escrito: "sicrana deverá tomar medicamento tal as 7h" e ele tinha escrito: " as 7h, ministrar medicamento tal" ¬¬ Conseguem acreditar nisso???

As 9:00, apareceram mais duas mulheres. Desta vez com a bandejinha com os comprimidos. Bem, agora definitivamente não teria mais volta.

Foi doloroso, não sabia que este comprimidos teriam que ser inseridos tão fundo, eram via vaginal...Não sabia nem que eu tinha essa profundidade toda. A sensação depois de inserido era de "calor", tudo estava queimando por dentro.

a mulher diz: " daqui a pouco você começará a sangrar e terá cólicas. Se for muito sangramento ou muitas cólicas, avise."

Digo: Já estou sentindo cólicas agora, quero um remédio.

"Inserimos o remédio agora, ainda irá aparecer as cólicas mais fortes.

"Exatamente. Eu já estou sentindo dor agora, quero remédios."

"Não podemos dá nada, pois o médico não prescreveu nada para dor."

"Mas eu estou sentindo dor, quero tomar alguma coisa...entrem em contato com o médico. Preciso tomar alguma coisa para dor."

Elas vão embora.

Marido tenta ligar para o médico. Chama, chama e nada. Depois médico manda zap: em que quarto estão? Estou descendo"

Deduzimos que talvez então ele já estivesse no hospital, talvez em alguma cirurgia?

Falta luz. Não tem ar condicionado. Não tem tv. Não tem wifi. Passa-se meia hora. Nem médico e nem remédio. A cólica aparentemente está aumentando. O meu choro fica engasgado. Peço para marido ir la no posto de enfermagem aperrear novamente por algum remédio. A energia volta.

Dez minutos depois, o médico aparece. De imediato digo que estou sentindo dor. Que já estava sentindo antes mesmo de colocar os comprimidos. Ele diz que vai dar alguma coisa para dor. Eu falo também sobre sair do quarto dormindo, não quero ver nada, não quero nem ver o trajeto para o centro cirúrgico. Aparentemente ele entende essa minha preocupação e diz que não pode me dar anestesia no quarto, que o anestesista precisava falar comigo agora, mas que daria algum comprimido que me deixaria muito groge, mas não estaria dormindo totalmente...